
A Serra está enfrentando uma epidemia de casos de dengue e três moradores da cidade já perderam a vida lutando contra a doença. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do município foram confirmados 16.235 casos de dengue de janeiro até o último dia 5. Ainda segundo os dados, 82% destes pacientes foram atendidos em unidades de saúde e UPA’s da Serra.
A rede municipal de saúde da Serra é responsável por 82,6% dos atendimentos. As Unidades de Pronto Atendimento da Serra, de Castelândia, Serra Sede e Carapina, foram responsáveis por 49.8% das notificações. Outros 32.8% dos pacientes foram atendidos nas unidades de Saúde da Serra. Já a outra fatia que engloba os 17.4% foram atendidos em serviços de fora do município e em hospitais localizados na Serra.
Ainda de acordo com a Prefeitura da Serra, nas últimas quatro semanas, os bairros com maior número de casos foi o Das Laranjeiras, na região de Jacaraípe, Feu Rosa, Novo Horizonte, Vila Nova de Colares e Jardim Carapina.
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Alta incidência de casos nas últimas quatro semanas
A cidade está classificada pelos parâmetros do Ministério da Saúde, como município com alta incidência de casos nas últimas quatro semanas. A última grande epidemia que o município enfrentou foi em 2019, quando durante todo o ano foram 17.316 casos com dez óbitos confirmados. Antes disso, o ano que apresentou preocupação foi 2013, quando foram contabilizados 10.129 casos com dois óbitos confirmados.
Os sintomas da dengue incluem febre alta, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, náuseas e vômitos, além de erupções cutâneas e manchas avermelhadas pelo corpo. A maioria das pessoas se recupera totalmente da doença, mas em casos graves, a doença pode levar à morte.
O pano de fundo é sempre o vetor da doença, que é o mosquito Aedes aegypti. “Por isso precisamos da colaboração do cidadão. Se não tiver vetor não tem vírus e a doença não circula. Para evitarmos essa problemática sempre orientamos a população que tenha consciência, que fique de olho em seus quintais, casas e até apartamentos. Pequenas atitudes podem evitar que o mosquito se prolifere, mitigando assim o sofrimento para a população, pois quanto maior o número de casos, maior a tendência de ter a forma da dengue com complicação que vai exigir mais cuidado, algumas vezes com internação que pode até levar a óbito. O cidadão precisa fazer sua parte”.
Em todo o Espírito Santo, são 63.728 casos confirmados da doença e 49 mortes confirmadas. No ES, nas últimas quatro semanas, a Serra foi a que mais registrou novos casos da dengue (4.419), seguido de Vitória (3.048), Linhares (2.200), Cariacica (14.598) e Guarapari (1.022).
Especialista explica porque do aumento de casos
Segundo a Superintendente em Vigilância em Saúde da Serra, Gabriela Gabriel de Almeida, o boom de casos tem explicação e acontece de tempos em tempos na cidade.
Estudos epidemiológicos mostram que a dengue apresenta um desenvolvimento natural e esperado por ser uma doença endêmica, como também é o caso da dengue, chikungunya e zika, que são consideradas arboviroses e tem tendência a ser cíclica em razão principalmente de um sorotipo circulante e população suscetível.
No caso da dengue o período cíclico é sempre de outubro de um ano a maio do ano seguinte. “O aumento de casos tem relação com o sorotipo circulante na região, que no caso da Serra, é o sorotipo 1 (DENV-1) aliado a questão da população suscetível a contrair a doença. Como que acontece isso? Uma pessoa que pega a dengue fica por um período de seis meses em média ou mais imunizado contra outro sorotipo. Você só pega um tipo de dengue e fica protegido por seis meses mais ou menos dos demais sorotipos, depois disso volta a ficar suscetível”.
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A dengue possui 4 sorotipos identificados atualmente: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DEN-V 4. No Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Saúde, identificou a circulação do DENV-2.
Segundo informações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o DEN-3 é o responsável por causar formas mais graves da doença, seguido pelo DEN-2, DEN-4 e DEN-1.
“Aqui na Serra, com epidemia ou sem epidemia, sempre coletamos amostras de pacientes e enviamos para o Lacen fazer a análise e desta forma isolamos o vírus. Este ano, há a predominância da circulação do DENV-1 na cidade, o que não significa que os outros tipos da doença não estejam circulando no município também. Em 2019, por exemplo, predominou o DENV-2. Então a grande maioria da população naquela ocasião ficou imunizada contra aquele sorotipo. Quase quatro anos, temos a DENV-1 em circulação”, explica Gabriela.
