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Túnel debaixo do mar com 6 faixas, ciclovia e acesso à BR-101: veja como será construída a rodovia submersa de R$ 6 bilhões

Viagem de 1 hora será feita em apenas cinco minutos com o túnel debaixo do mar.
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Túnel debaixo do mar BR-101
Túnel será construído debaixo do mar e terá seis faixas para veículos. Crédito: Divulgação
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Uma gigantesca estrutura de concreto, com seis faixas para veículos, ciclovia e ligação com o sistema rodoviário que dá acesso à BR-101, será instalada no fundo de um canal marítimo. A obra promete se tornar um dos projetos de engenharia mais impressionantes do Brasil, permitindo que motoristas circulem debaixo d’água enquanto grandes navios continuam navegando na superfície.

O empreendimento terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão e exigirá uma técnica de construção diferente da utilizada em túneis convencionais. Em vez de abrir toda a passagem por meio de escavações subterrâneas, os engenheiros produzirão enormes estruturas de concreto fora da água e, posteriormente, as transportarão até o local definitivo.

O investimento estimado chega a R$ 6,8 bilhões. Além das pistas para automóveis e caminhões, o projeto terá passagem exclusiva para pedestres e ciclistas, espaço adaptável ao transporte ferroviário e modernos sistemas de segurança.

A construção também permitirá reduzir para menos de cinco minutos uma travessia que atualmente pode consumir quase uma hora. O cronograma prevê o início das obras em 2027 e a entrada em funcionamento em 2031.

Como será construída a rodovia submersa debaixo do mar?

O projeto corresponde ao futuro túnel Santos-Guarujá, que ligará as duas cidades do litoral de São Paulo por baixo do canal do Porto de Santos.

A estrutura será o primeiro túnel imerso do Brasil. Dos aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão, cerca de 870 metros ficarão submersos no canal por onde circulam diariamente navios de grande porte.

Para construir a passagem, os engenheiros utilizarão uma tecnologia que permite montar o túnel em partes, transportá-las pela água e instalá-las no fundo do canal.

O processo começará com a preparação do terreno submerso. Nessa etapa, as equipes realizarão dragagens e abrirão uma trincheira no leito do canal para acomodar as estruturas de concreto.

Paralelamente, os trabalhadores construirão os módulos que formarão o túnel em uma área chamada doca seca.

Esse espaço funcionará como um grande canteiro de fabricação, permitindo produzir as peças em ambiente controlado, antes de colocá-las na água, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Túnel terá seis módulos gigantes de concreto que serão afundados no mar

A construção utilizará seis grandes módulos de concreto pré-moldado. Cada estrutura passará por verificações de vedação e impermeabilidade antes do transporte.

Depois que as equipes concluírem a fabricação, elas inundarão a doca seca de maneira controlada. Esse procedimento permitirá que os enormes blocos flutuem.

Em seguida, rebocadores transportarão as peças pelo canal até os pontos onde os engenheiros instalarão o túnel.

A operação exigirá equipamentos de posicionamento, sensores e sistemas de controle para garantir que cada módulo chegue ao lugar correto.

Na etapa seguinte, as equipes utilizarão compartimentos de lastro e sistemas hidráulicos para afundar lentamente as estruturas.

Os módulos descerão até a trincheira preparada no fundo do canal, onde os trabalhadores farão o encaixe e a conexão entre as diferentes peças.

Depois disso, os engenheiros executarão procedimentos de vedação, nivelamento e estabilização para formar uma passagem contínua e protegida contra a entrada de água.

Por fim, camadas de areia e pedras ajudarão a sustentar e proteger a construção, inclusive contra possíveis impactos de embarcações e âncoras.

Assim, quando a obra estiver pronta, os veículos circularão dentro do túnel enquanto os navios continuarão atravessando o canal acima da estrutura.

Por que o túnel será construído debaixo do mar e não sobre uma ponte?

túnel debaixo do mar
Projeção de como será o túnel debaixo do mar. Crédito: Divulgação

A escolha pela construção submersa está diretamente relacionada às características do Porto de Santos.

O canal recebe embarcações de grande porte e precisa manter condições adequadas para o transporte marítimo.

Uma ponte exigiria uma altura elevada para permitir a passagem desses navios. Além disso, o projeto enfrentaria restrições relacionadas à proximidade do aeroporto do Guarujá.

Os estudos também analisaram a possibilidade de construir um túnel tradicional, escavado profundamente no subsolo. Entretanto, essa alternativa exigiria atingir camadas mais profundas de terreno resistente, elevando os custos.

Diante dessas condições, os responsáveis escolheram o túnel imerso, uma solução que outros países já utilizam em travessias marítimas e portuárias.

A tecnologia permitirá manter o tráfego de embarcações acima da passagem, sem criar uma barreira permanente no canal de navegação.

Túnel terá seis faixas, ciclovia e acesso à BR-101

Ciclovia
Obra tem projeto para ciclovia e passagem de pedestres. Crédito: Divulgação

Além da técnica de construção, o empreendimento chama atenção pelo tamanho e pela infraestrutura destinada aos usuários.

A rodovia submersa contará com três faixas de circulação em cada sentido, totalizando seis.

O projeto também prevê a possibilidade de adaptar uma das faixas para receber futuramente o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ampliando as alternativas de transporte coletivo.

Pedestres e ciclistas terão uma área própria para realizar a travessia. Dessa forma, a nova ligação atenderá diferentes meios de deslocamento entre as duas cidades.

Outro destaque será a integração com o sistema rodoviário da Baixada Santista.

No lado do Guarujá, o planejamento contempla uma ligação com a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, importante corredor utilizado por veículos que circulam pela região portuária.

Essa conexão permitirá acessar outras rodovias e seguir em direção à BR-101, conhecida como Rio-Santos.

O túnel não desembocará diretamente na BR-101. Os motoristas chegarão à rodovia federal por meio da malha viária conectada aos acessos do empreendimento.

Além disso, o projeto inclui rampas, viadutos e vias complementares para distribuir o fluxo de veículos.

Rodovia submersa de R$ 6,8 bilhões já tem empresa responsável

O empreendimento avançou em setembro de 2025, quando o grupo Mota-Engil venceu o leilão para implantação e operação do túnel.

A concessão terá duração de 30 anos e prevê a participação da iniciativa privada, do Governo de São Paulo e do Governo Federal.

A TSG Concessionária assumiu a responsabilidade pela implantação, operação e manutenção da estrutura.

Em julho de 2026, a empresa assinou o Termo de Transferência Inicial, que marcou o início da contagem dos prazos contratuais.

Desde então, as equipes desenvolvem os projetos técnicos e realizam estudos e procedimentos necessários para preparar o início da construção.

Quando começa a construção do túnel debaixo do mar?

O cronograma oficial estabelece diferentes etapas até a conclusão da rodovia submersa. Inicialmente, durante 2026, a concessionária concentra as atividades na elaboração dos projetos funcional e executivo, nos estudos complementares e nos licenciamentos ambientais.

Em seguida, a partir de 2027, os trabalhadores deverão iniciar a instalação dos canteiros de obras, a construção da doca seca e as primeiras dragagens.

Já em 2028, o planejamento prevê a fabricação dos grandes módulos de concreto. Além disso, as equipes deverão preparar a trincheira onde instalarão as estruturas.

Posteriormente, em 2029, ocorrerá uma das fases mais complexas da construção. Nessa etapa, os profissionais deverão transportar os módulos pelo canal, realizar a imersão e, por fim, conectar as peças que formarão o túnel.

Posteriormente, em 2030, a concessionária deverá executar os acabamentos, instalar os sistemas operacionais e realizar os testes de segurança.

A previsão atual aponta 2031 como o ano de inauguração do túnel Santos-Guarujá.

Nova rodovia submersa permitirá atravessar o canal em menos de 5 minutos

Quando entrar em funcionamento, o túnel criará uma ligação permanente entre as duas margens do Porto de Santos.

Atualmente, moradores e trabalhadores dependem principalmente das balsas ou precisam utilizar um percurso rodoviário mais longo para viajar entre as cidades.

Em determinados horários, as filas e as condições de circulação fazem o deslocamento se aproximar de uma hora.

Com a nova passagem, a expectativa é reduzir o tempo de travessia, hoje estimado em aproximadamente 50 minutos, para menos de cinco minutos.

Além de facilitar o deslocamento da população, a estrutura deverá melhorar a circulação de veículos e a integração logística da região portuária.

Se a concessionária cumprir o cronograma, o Brasil terá seu primeiro túnel imerso em operação em 2031, com seis faixas, ciclovia e conexão ao sistema rodoviário que permite acessar a BR-101.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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