Teste físico que eliminou mulheres em concurso vira alvo do MP no ES

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Concurso da Polícia Penal: O salário inicial será de R$ 5.317, já incluindo o auxílio-alimentação de R$ 600. Crédito: divulgação.

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) expediu Notificação Recomendatória à Diretoria-Geral da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES) e ao Instituto de Desenvolvimento e Capacitação (IDCAP), responsável pelo concurso de policial penal do ES. O órgão orienta a reaplicação do Teste de Aptidão Física (TAF) para candidatas eliminadas na etapa de barra fixa feminina.

O MP instaurou o Inquérito Civil nº 2026.0003.3023-39 para apurar possível irregularidade na execução do teste físico, aplicado entre os dias 6 e 8 de fevereiro de 2026.

O que motivou a recomendação

O edital determinava que a candidata deveria iniciar o exercício com o queixo acima da barra, em posição estática e com apoio dos pés. O fiscal só poderia retirar a base após a estabilização da candidata. O teste previa sustentação isométrica, sem salto ou impulso.

No entanto, candidatas relataram ao Ministério Público que a escada utilizada no dia da prova não permitia que todas alcançassem a posição inicial de forma estática. A situação teria afetado principalmente mulheres de menor estatura.

Segundo a apuração, algumas participantes precisaram saltar ou impulsionar o corpo para alcançar a barra. Isso alteraria a metodologia prevista no edital.

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O MP afirmou que qualquer mudança na forma de execução pode gerar tratamento desigual entre as candidatas e ferir o princípio da isonomia.

O que o Ministério Público recomendou

Na Notificação Recomendatória nº 001/2026, o MPES orientou que:

  • A Polícia Penal e o IDCAP reapliquem integralmente o TAF para todas as candidatas eliminadas nessa etapa;
  • A organização disponibilize base ou plataforma adequada à estatura das participantes;
  • O órgão divulgue amplamente a nova aplicação, com data, horário e local definidos;
  • A banca registre a execução das provas, inclusive com documentação audiovisual.

O MP fixou prazo de três dias para que a Diretoria-Geral da Polícia Penal informe se aceitará a recomendação ou apresentará resposta formal.

Segundo o órgão, a adoção de medidas ainda na fase administrativa pode evitar questionamentos judiciais e preservar a regularidade do concurso.

Concurso prevê 600 vagas para policial penal

O governador Renato Casagrande anunciou o concurso para contratar 600 novos policiais penais. O edital já foi publicado no Diário Oficial do Estado.

O processo seletivo inclui prova objetiva, redação, teste físico, avaliação psicológica, exames de saúde e investigação social.

O salário inicial é de R$ 5.631,16, além de auxílio-alimentação de R$ 800. A jornada é de 40 horas semanais.

A Secretaria de Estado da Justiça informou que a seleção integra a recomposição do efetivo nas 37 unidades prisionais do Espírito Santo.

Próximos passos

Até o momento, a Polícia Penal e o IDCAP não confirmaram se vão acatar a recomendação. A reportagem já solicitou posicionamento ao instituto, responsável pela aplicação do TAF. Assim que houver resposta oficial, a matéria será atualizada.

Caso as autoridades aceitem a recomendação, a banca deverá publicar nova convocação com cronograma e regras para reaplicação do teste.vo acompanha o caso e atualizará esta matéria assim que houver posicionamento oficial dos órgãos envolvidos.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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