Tênis de algumas das marcas esportivas mais conhecidas do mundo deixaram de ser produzidos em uma grande fábrica após o encerramento definitivo da unidade. A indústria fabricava calçados ligados a gigantes como Nike e Adidas e fazia parte de um grupo que também atua com Fila, Umbro, New Balance e Osklen.
O fechamento colocou fim a quase duas décadas de produção. Além disso, a decisão provocou a demissão dos últimos 150 trabalhadores que ainda permaneciam na fábrica.
Durante seus melhores anos, porém, a realidade era completamente diferente. A unidade chegou a reunir aproximadamente 1.500 funcionários e tinha capacidade para fabricar cerca de 22 mil pares de calçados por dia.
A fábrica pertencia ao Grupo Dass, companhia brasileira especializada no desenvolvimento, fabricação, gestão e distribuição de artigos esportivos. O grupo possui uma ampla operação nas Américas e trabalha com algumas das maiores marcas do setor.
Leia também
Fábrica que produzia tênis da Nike e Adidas fecha as portas
A unidade encerrada funcionava em Eldorado, na província de Misiones, na Argentina. O Grupo Dass concluiu as atividades industriais no local em julho de 2026.
Com isso, a companhia deixou de fabricar calçados em território argentino.
A unidade produzia tênis para Nike e Adidas havia vários anos. Dessa forma, o encerramento acabou com a fabricação local desses produtos pela companhia.
No entanto, o fechamento não significa que os consumidores deixarão de encontrar tênis das marcas nas lojas argentinas.
Nike e Adidas mantêm produção em diferentes países, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. Portanto, os produtos poderão chegar ao mercado argentino por meio de importações.
Grupo também trabalha com Fila, Umbro e New Balance
Embora Nike e Adidas estivessem entre os principais clientes industriais da fábrica, o Grupo Dass possui uma presença muito maior no setor esportivo.
A companhia desenvolve, fabrica e distribui calçados, roupas e acessórios. Além disso, mantém operações envolvendo diferentes marcas internacionais.
Entre os nomes presentes no portfólio da empresa estão:
- Fila;
- Umbro;
- New Balance;
- Osklen.
O grupo também mantém relações industriais com gigantes como Nike e Adidas.
Na Argentina, por exemplo, a empresa continuará atuando comercialmente mesmo depois de encerrar suas fábricas. A operação seguirá com gestão, distribuição e venda de produtos.
Fila, Umbro e Asics continuarão entre as marcas atendidas pela estrutura argentina da companhia.
Número de encomendas tornou fábrica da Nike e Adidas inviável
A decisão de fechar a unidade ocorreu depois de uma forte redução no volume de produção.
Segundo a empresa, as encomendas diminuíram significativamente nos últimos anos. Ao mesmo tempo, os calçados importados ganharam participação no mercado argentino.
Consequentemente, manter uma grande estrutura industrial funcionando passou a custar mais diante do pequeno volume de pedidos.
O Grupo Dass informou que analisou alternativas para preservar a operação. Entretanto, a companhia afirmou que não encontrou uma solução economicamente sustentável para manter a fábrica aberta.
Com isso, decidiu encerrar definitivamente a produção.
Importação de tênis ganhou espaço no mercado
Outro fator importante foi o aumento da presença de calçados produzidos fora da Argentina.
Com a mudança nas condições comerciais, importar produtos prontos passou a representar uma alternativa mais competitiva para abastecer o mercado.
Dessa maneira, os tênis continuam chegando às lojas, mas sem passar pelas antigas linhas de produção de Eldorado.
Produtos vendidos na Argentina poderão sair de fábricas instaladas em outros países. O próprio Grupo Dass mantém uma grande estrutura industrial no Brasil.
Representantes dos trabalhadores também apontaram a retração do consumo e o crescimento das importações como fatores que contribuíram para enfraquecer a produção local.
A empresa, por sua vez, tratou a decisão como uma reorganização de suas operações.
Fábrica Nike e Adidas chegou a produzir 22 mil pares de tênis por dia
O tamanho da redução fica ainda mais evidente quando os números atuais são comparados ao período de maior atividade da unidade.
A fábrica começou a operar em 2007 com uma estrutura pequena. Nos anos seguintes, porém, expandiu rapidamente as linhas de montagem e aumentou a contratação de funcionários.
Por volta de 2015, a indústria vivia seu auge.
Naquele período, aproximadamente 1.500 trabalhadores atuavam no local. Além disso, a produção funcionava em três turnos.
Diariamente, cerca de 22 mil pares de calçados saíam da fábrica.
A unidade se tornou uma importante fonte de empregos industriais para Eldorado e municípios próximos.
Produção da fábrica mudou drasticamente
Nos anos seguintes, entretanto, o cenário começou a mudar.
A fábrica perdeu encomendas e reduziu gradualmente suas atividades. Consequentemente, a empresa cortou turnos e diminuiu o quadro de funcionários.
Também ocorreram programas de desligamento voluntário e períodos de suspensão de contratos.
Na reta final da operação, a produção havia despencado para aproximadamente 2.500 pares de calçados por dia.
Ao mesmo tempo, somente 150 trabalhadores continuavam na unidade.
Portanto, a fábrica operava com apenas uma pequena parcela da estrutura que possuía durante seu período de maior expansão.
Fechamento deixou trabalhadores sem emprego
Com o encerramento definitivo, todos os 150 funcionários remanescentes perderam seus empregos.
Os desligamentos atingiram profissionais ligados diretamente à fabricação dos calçados e também trabalhadores de outros setores da indústria.
O Grupo Dass informou que cumpriria as obrigações trabalhistas relacionadas às demissões.
Entretanto, o impacto econômico ultrapassa os portões da antiga fábrica.
Durante quase duas décadas, a unidade também movimentou transportadores, fornecedores, prestadores de serviços, estabelecimentos comerciais e outros negócios da região.
Por isso, o fechamento gerou preocupação principalmente com a recolocação dos trabalhadores.
Outra fábrica de tênis da Adidas já tinha fechado
A unidade de Eldorado não foi a primeira fábrica argentina encerrada pelo Grupo Dass.
Em janeiro de 2025, a companhia já havia fechado outra operação em Coronel Suárez, na província de Buenos Aires.
A fábrica produzia calçados da Adidas.
Na ocasião, centenas de trabalhadores perderam seus empregos. As estimativas apontaram aproximadamente 330 a 360 desligamentos.
Depois disso, Eldorado permaneceu como a principal estrutura industrial do grupo na Argentina.
Porém, a continuidade da queda nos pedidos também comprometeu essa fábrica.
Em cerca de um ano e meio, os dois encerramentos eliminaram aproximadamente 500 postos de trabalho ligados à produção industrial.
Fabricante da Nike e Adidas continua no país mesmo sem fábricas
Apesar da saída da produção, o Grupo Dass não abandonará completamente o mercado argentino.
A empresa continuará mantendo atividades comerciais e logísticas.
O escritório responsável pela gestão de marcas em Buenos Aires seguirá funcionando. Além disso, estruturas de distribuição também continuarão operando.
Os centros instalados em Coronel Suárez e Cañuelas poderão receber mercadorias fabricadas em outros países e distribuir esses produtos para o mercado argentino.
Assim, a principal transformação acontece no modelo de operação.
Em vez de produzir os calçados localmente, a companhia concentrará sua presença argentina principalmente na importação, armazenamento, administração de marcas e distribuição.
Fabricante reúne mais de 26 mil trabalhadores
Apesar dos fechamentos na Argentina, o Grupo Dass mantém uma grande estrutura internacional.
A companhia nasceu no Brasil e soma mais de quatro décadas de atuação no segmento esportivo.
Atualmente, reúne mais de 26 mil trabalhadores em suas operações e atua em diferentes etapas da cadeia de produção.
A empresa trabalha desde o desenvolvimento dos produtos até a fabricação, logística, distribuição e administração de marcas.
Nike e Adidas estão entre os clientes ligados à atividade industrial do grupo. Enquanto isso, Fila, Umbro, New Balance e Osklen aparecem entre as marcas que fazem parte de sua estrutura de negócios.
As fábricas brasileiras permanecem em funcionamento.
Portanto, o fechamento de Eldorado não representa o fim da fabricação de tênis da Nike, Adidas ou Fila no mercado mundial. A medida encerra especificamente a produção realizada naquela unidade argentina.
Para Eldorado, entretanto, a mudança representa o fim de uma indústria que chegou a colocar 22 mil pares de calçados por dia no mercado, empregou cerca de 1.500 pessoas no auge e fez parte da economia local durante quase 20 anos.
