O presidente em exercício da Câmara Municipal da Serra, William Miranda (União), convocou oficialmente os suplentes Wilian da Elétrica (PDT), Marcelo Leal (MDB), Dr. Thiago Peixoto (PSOL) e Sergio Peixoto (PDT) para assumir as cadeiras deixadas por quatro vereadores afastados judicialmente. A convocação foi publicada no Diário Oficial do Legislativo serrano desta segunda-feira (26/Portaria Nº 068).
Com isso os vereadores Wellington Alemão (Rede), Cleber Serrinha (MDB), Saulinho da Academia (PDT) e Teilton Valim (PDT) deixam formalmente a titularidade das vagas em razão do afastamento ocorrido em setembro do ano passado, após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES).
A convocação dos suplentes encerra uma situação que se arrastava há meses e chegou a ser judicializada. É importante ressaltar que o afastamento segue sendo cautelar, e os quatro vereadores ainda podem retornar aos mandatos, a depender do curso das investigações. Além disso, há uma forte tendência de novas alterações na composição da Câmara da Serra, já que outro vereador, Marlon Fred (PDT), está preso desde o fim do ano passado, acusado de resistir a uma ação policial.
Novos vereadores
A posse dos suplentes marca também um fato novo para a política do município: a entrada do primeiro vereador filiado ao PSOL na Câmara da Serra. Dr. Thiago Peixoto é médico e, nas eleições de 2024, obteve 1.637 votos.
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Thiago Peixoto assume a vaga deixada por Wellington Alemão (Rede). Aos 40 anos, ele será também o primeiro homem gay assumido da história a exercer o cargo de vereador no município, cidade tradicionalmente conservadora. Além disso, torna-se o primeiro vereador do PSOL a atuar fora da capital Vitória.
Ele passa a integrar um parlamento tradicionalmente situado à direita do espectro político, e a presença da sigla tende a alterar o tom dos debates. Nos bastidores, a expectativa é de um aumento do embate ideológico, com possibilidade de maior efervescência política no Legislativo.
Isso porque o alto nível de ideologização já observado nos discursos do vereador Pastor Dinho (PL) pode ganhar novos contornos com a chegada de um parlamentar filiado a um partido assumidamente de esquerda.
Em relação aos demais suplentes, dois deles já têm experiência no Legislativo. Wilian da Elétrica foi vereador na legislatura passada, enquanto Sérgio Peixoto é o político que mais vezes exerceu o mandato de vereador na Serra, somando oito mandatos com a assunção nesta legislatura atual.
A primeira vez que Sérgio Peixoto foi eleito vereador ocorreu nas eleições de 1972, com posse em 1973. Desde então, já se passaram 54 anos. Ainda naquela mesma legislatura, que teve como prefeito Aldary Nunes, Sérgio Peixoto exerceu a presidência do Legislativo no período de 1975 a 1977.
Já na legislatura de 1989 a 1993, período considerado importante para a história institucional da Serra, foi promulgada a Lei Orgânica do Município. Até então, essa atribuição cabia à Assembleia Legislativa, mas, com a Constituição de 1988, a responsabilidade passou a ser dos próprios municípios. Nesse contexto, Sérgio Peixoto atuou como o chamado “presidente organizante”, responsável por estruturar institucionalmente o Legislativo municipal durante o período de transição constitucional, consolidando a autonomia da Câmara da Serra.
Por fim, Marcelo Leal terá a primeira oportunidade de assumir uma vaga de vereador. Sua trajetória política tem origem na atuação comunitária, especialmente na região de Serra Dourada.
Apesar desse cenário com a chegada dos novos parlamentares, a Câmara da Serra enfrenta um desafio ainda maior do ponto de vista institucional: contornar o desgaste da imagem do Legislativo e buscar a recuperação da credibilidade da Casa junto à população.

