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Serra, 23 de Março de 2018 às 10:26

Serra pode ser destino do minério das areias da praia de Camburi


Parte da praia de Camburi vizinha a Vale tem as areias cobertas de minério: empresa fez acordo para a retirada da sujeira que poderá vir para a Serra. Foto: Arquivo TN/Bruno Lyra

Bruno Lyra / Eci Scardini 

Enquanto Vitória vai ganhar da Vale um parque urbano na Praia de Camburi, a Serra pode ficar com o pó de minério misturado com areia e sal que serão extraídos da região. As ações fazem parte de uma do Termo de Compromisso Ambiental (TCA), assinado Vale para reduzir os passivos ambientais gerados pela empresa em Camburi.

Nem a empresa nem o Instituto Estadual de Meio Ambiente – que está licenciando a remoção do minério que cobre a areia da praia – admitem que o resíduo virá para a Serra. Dizem que o destino ainda não foi definido. Porém, Tempo Novo apurou que o resíduo poderá ir para um aterro aos pés da Área de Proteção Ambiental (APA) do Mestre Álvaro, entre Pitanga e Nova Carapina.

O assunto já circula entre membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente e até o subsecretário de Meio Ambiente da Serra, Ronaldo Freire, confirmou que a cidade será o destino. O fato é que no local citado há dois aterros licenciados, um da empresa Manancial e outro da Marca Ambiental, sendo que o segundo recebeu parecer favorável do Iema no último dia 31 de outubro. Há ainda uma terceira área na região, uma pedreira abandonada, que também poderia ser destino do resíduo. Mas que ainda prescinde de licença para tal.   

O representante da Marca Ambiental, Harley Ribeiro, disse que não será na área recém licenciada da empresa. Questionado se o resíduo não poderia ir para o aterro vizinho, o da Manancial – que já foi parceira da Marca – afirmou que “pode ser, mas não sei”.

 A reportagem ligou para o responsável pela Manancial, Júlio Prezotti, que não atendeu nem retornou a ligação.

 Questionada sobre o impacto no solo e nos lençóis freáticos da região, que alimentam tanto os alagados do Mestre Álvaro quanto nascentes da lagoa Jacuném, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente se resumiu a informar que não participou do licenciamento e que este é de responsabilidade do Iema.

O Iema, por sua vez, informou que o projeto da retirada ainda está em análise e que a Vale não definiu o destino do resíduo, mas que este deverá ser depositado em local licenciado na Grande Vitória.  No entanto o órgão revelou que serão retirados 36 mil m3 de resíduos da areia de Camburi. Segundo o Iema, serão 1.188 viagens de caçamba longa com capacidade de 30 m3 cada. Como serão 5 viagens por dia, o translado deve durar mais de 7 meses.

A assessoria de imprensa da Vale, disse que a empresa não passará detalhes sobre a remoção enquanto estiver sob análise dos órgãos ambientais. 

O TCA foi assinado no 1º semestre do ano passado pela Vale junto aos Ministérios Públicos Estadual e Federal, com participação do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) e Prefeitura de Vitória.

Prevê a retirada do minério na parte emersa da praia (o minério no fundo do mar não será removido), a instalação de uma área de preservação em Camburi, além de um parque urbano. Tudo custado pela Vale.

A obra do parque urbano, que tem até enquete para o morador de Vitória dar o nome, começa no próximo dia 12 de abril com inauguração prevista até o final do ano. Já a retirada do minério e a implantação da área de preservação ainda não tem data prevista.

A Serra não participou do TCA e nem do licenciamento para a deposição do minério que poderá vir com areia e sal da praia.




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