‘Sem deputado federal’ desde 2021, Serra pode ter polarização entre Muribeca e Serginho Vidigal

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Serginho Vidigal e Pablo Muribeca: dois projetos que têm a Serra como principal base política, porém antagônicos entre si. Crédito: Divulgação.

Após a saída de Amaro Neto e Messias Donato, o Republicanos ficou com a chapa de deputado federal esvaziada. Diante desse cenário, o deputado estadual Pablo Muribeca passou a ser o principal nome do partido para disputar o cargo.

Muribeca atua no maior colégio eleitoral do Espírito Santo: a Serra. Ele ganhou força após o desempenho em 2022, quando conquistou mais de 90 mil votos na eleição para prefeito.

Naquele pleito, perdeu para Weverson Meireles, candidato apresentado pelo ex-prefeito Sergio Vidigal. Mesmo assim, o partido avaliou seu desempenho de forma positiva.

O próprio Muribeca já confirmou que o Republicanos manifestou interesse em lançá-lo para a disputa federal. Ele também declarou que vê a candidatura com bons olhos.


Possível reedição de disputa política

Caso a candidatura avance, o cenário pode reeditar a disputa contra um projeto político ligado a Sergio Vidigal.

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Desta vez, o embate não envolve apenas apoio político. Envolve sobrenome e legado. Serginho Vidigal, filho do ex-prefeito, articula uma pré-candidatura a deputado federal.

Naturalmente, ele também mira o eleitorado da Serra, cidade onde seu pai construiu a trajetória política mais longeva da história do município.


Serra sem representante federal desde 2021

O município está sem um deputado federal com base principal na cidade desde 2021. Naquele ano, Sergio Vidigal deixou a Câmara Federal para assumir seu último mandato como prefeito.

Desde então, a Serra, que reúne cerca de 300 mil eleitores, não tem um representante federal diretamente vinculado ao município.

No passado, a cidade contou com nomes como Audifax Barcelos e Sueli Vidigal, que mantinham na Serra sua principal base política.

A ausência de um deputado federal serrano contrasta com o peso eleitoral e econômico do município.


Disputa pode deixar de ser aberta

Se Muribeca e Serginho confirmarem candidatura, a corrida deixará de ser aberta. O processo passará a ter dois polos claros.

Ambos têm ligação direta com a Serra. Porém, defendem projetos distintos.

Embora o mandato represente todo o Espírito Santo, o peso eleitoral da Serra pode ser decisivo. Um candidato pode sair do município com votos suficientes para garantir a eleição.


Relação com Brasília é estratégica

Historicamente, lideranças locais consideram estratégica a presença de um deputado federal com base na Serra.

O município tem orçamento elevado em termos absolutos. Entretanto, quando se analisa o orçamento per capita, o cenário muda. A cidade figura entre as menores proporções do Estado.

Por isso, manter interlocução forte com Brasília sempre foi visto como caminho essencial para atrair recursos e investimentos que o orçamento municipal não consegue suportar sozinho.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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