Rotativo põe camelôs e Prefeitura em rota de colisão

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Com o rotativo os vendedores ambulantes terão que deixar as ruas onde o estacionamento irá funcionar. Foto: Fábio Barcelos

 

Com o rotativo os vendedores ambulantes terão que deixar as ruas onde o estacionamento irá funcionar. Foto: Fábio Barcelos

Ana Paula Bonelli

Marcado para começar em novembro, o estacionamento rotativo de Laranjeiras ainda deve gerar muito polêmica. Isto porque os camelôs que hoje ocupam com seus veículos ou barracas as vagas de estacionamento, não poderão mais fazê-lo após a implantação do rotativo. Os ambulantes argumentam que o camelódromo que a prefeitura está erguendo ao lado da Associação de Moradores do bairro não contemplará todos os vendedores de rua.

Através da assessoria de imprensa, a Prefeitura da Serra diz que ainda não está definido quantos camelôs poderão se instalar no novo espaço, uma vez que o processo está sendo analisado pela Procuradoria Municipal, que solicitou a elaboração de um edital para este projeto.

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“Qualquer alteração no projeto será discutida dentro destes parâmetros legais. As áreas destinadas para o estacionamento rotativo são uma concessão do poder público e devem ser ocupadas de acordo com o que determina a legislação e o Código de Posturas”, diz a nota enviada à reportagem. Ainda segundo a prefeitura, o rotativo de Laranjeiras terá 1,7 mil vagas.

E irá abranger vias onde há ambulantes, como a Avenida Central, 2ª Avenida, Travessa V5, Coelho Neto, Euclides da Cunha, Raul de Leoni, além de outras ruas.     

Da Associação dos Camelôs, a vendedora ambulante Mayara Deyse Silva, disse que o local que está sendo construído pela prefeitura tem 36 vagas, mas são pelo menos 58 ambulantes registrados na entidade e que usam barracas, fora os que ocupam as calçadas e não são filiados a entidade. “Todos somos pais e mães de família e precisamos de renda. O município prometeu uma coisa e está fazendo outra”, reclama.

Derivaldo Carneiro, também tem barraca no bairro. Ele, que atua na região há 15 anos, afirma que se o município não cumprir o que prometeu, não irá sair do local. “Queremos que o Shopping Popular (Camelódromo) seja construído nos moldes que nos foi apresentado. Só aceitamos sair daqui neste caso, senão iremos protestar como fizemos da outra vez”, ameaça.

O também camelô Joel da Silva reclama que o local escolhido para a implantação do Camelódromo é pouco movimento.

Em abril, a Prefeitura da Serra divulgou o projeto de construção do Shopping Popular que deveria ficar nas proximidades da associação de moradores de Laranjeiras, e teria capacidade para abrigar 61 ambulantes.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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