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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Rio que abastece a Serra é contaminado por ácidos

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

O corante lançado no rio no último dia 8 de janeiro é usado na fabricação de crivos de ovos de galinha e contém três substâncias químicas, dentre elas, dois ácidos. Foto: Divulgação/Edson Peixoto

Ácidos atingiram as águas que abastecem a Serra com o derramamento de corante em rio de Santa Maria de Jetibá, no último dia 8 de janeiro. A informação foi passada na tarde de quinta-feira (6) pela secretária de Meio Ambiente de Santa Maria, Rosi Angela Krause.

Segundo ela, análise encomendada pela Prefeitura da cidade das montanhas encontrou os ácidos hidroclorídrico e acético, além de acetato de dimetilamônico no corante violeta trimazol LM, lançado no rio São Luiz – afluente do rio Santa Maria da Vitória, manancial que  abastece Serra e parte de outras cidades da Grande Vitória.

A secretária disse que o resultado da análise foi avaliado em conjunto com técnicos da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) e que não teria encontrado, a princípio, riscos para o abastecimento de água. No entanto, um novo estudo, mais aprofundado, será feito para avaliar com mais precisão esses riscos. “Vamos coletar novas amostras na semana que vem, tanto da água quando da areia (sedimento) do fundo do rio. Os resultados iniciais que obtivemos estavam dentro dos limites da resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), mas agora também será avaliada a ecotoxidade”, explica.

No dia que aconteceu a descarga do corante, usado para tingir caixas de ovos (crivos), o rio São Luiz ficou roxo. De acordo com Rosi, o corante desceu até o rio Santa Maria, que é próximo, e chegou à represa de Rio Bonito, localizada a cerca de 60 km acima do ponto em que a Cesan capta água para abastecer a Grande Vitória na região de São José do Queimado, zona rural da Serra.

“Quando descobrimos de onde veio o corante, uma oficina mecânica, percebemos que foi acidente, não foi proposital. O tambor onde estava o corante era de uma fábrica de caixa de ovos e só continha vestígios finais do produto. Por amizade, o pessoal da fábrica doou o tambor para o dono da oficina, que lavou numa área externa e acabou indo para a drenagem pluvial e daí para o rio. Se ele tivesse lavado na área interna da oficina, onde há caixa de separação de água e óleo, o corante não tinha chegado ao rio”, afirma Rosi.

Responsáveis são autuados por crime ambiental

A secretária disse que tanto a oficina quanto a fábrica de caixas de ovos – ambas localizadas na área urbana de Santa Maria de Jetibá – foram multadas por crime ambiental. O nome dos estabelecimentos e o valor da multa não foram divulgados. Rosi afirmou, ainda, que a empresa que fabricou o corante é de São Paulo e que informou ao Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) do ES e à Agerh. “Essa empresa vendeu o produto e não apresentou logística reversa para recolher o tambor. Ainda não autuamos essa empresa por questão de competência legal, que deve ser estadual”, explica.

Vale lembrar que Santa Maria de Jetibá é o município brasileiro que mais produz ovos de galinha; por isso, há cadeia de fornecedores na região para esse setor do agronegócio. O rio Santa Maria tem nascentes naquele município e, depois de atravessá-lo, passa por Santa Leopoldina. Por fim, após descer as montanhas, chega à região metropolitana, com seu curso dividindo Serra e Cariacica, desaguando na baía de Vitória.

O Santa Maria abastece a Serra (exceto a Sede e o entorno); Praia Grande, em Fundão; além de bairros da parte continental de Vitória e parte de Cariacica, totalizando cerca de meio milhão de pessoas.

A reportagem perguntou à Cesan quais os riscos da água captada no Santa Maria para a saúde da população, mas a assessoria de imprensa da empresa não retornou.

 

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