Promessa de mais água e floresta para Serra e ES

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Rio Santa Maria quase seco no último dia 14 de março em Santa Leopoldina: manancial que abastece a Serra está em vias de esgotamento. Foto: Bruno Lyra

Bruno Lyra

Atravessando a pior seca de sua história, o Espírito Santo teve um Dia Internacional das Águas, comemorado no último dia 22 (quarta-feira) recheado de promessas do Governo para evitar o colapso hídrico.

Uma delas é a de entregar o sistema do rio Reis Magos até o final de junho, que vai incrementar em 500 litros por segundo o fornecimento de água à Serra. A Sede do município e adjacências serão as maiores beneficiadas. Inclusive nesta sexta (24) está prevista visita do governador Paulo Hartung (PMDB) às obras, que incluem canal de captação, estação de tratamento, pontos de bombeamento e adutoras para levar a água até a população. O custo da obra é de R$ 59 milhões.

A segunda é a de entregar o Plano Estadual de Recursos Hídricos até 2018, documento que dará diagnóstico atual dos rios, fará ensaio do que pode acontecer no futuro e vai orientar as políticas de uso, conservação e recuperação dos mananciais. Uma terceira promessa é de garantir a recuperação de 80 mil hectares de mata Atlântica no ES também até 2018.

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“Isso já está acontecendo através do Programa Reflorestar e também pelo levantamento que estamos fazendo em parceria com o Idaf (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal) das propriedades que tem Cadastro Ambiental Rural (CAR). Inclusive estamos estudando a possibilidade de apoio financeiro para elaboração de novos cadastros e incentivos aos proprietários rurais que já fizeram”, disse o secretário de Meio Ambiente do ES, Aladim Cerqueira.

Outra promessa é de que o complexo de Tubarão usará esgoto doméstico tratado da Estação (ETE) de Jardim Camburi. Em entrevista exclusiva ao jornal Tempo Novo no início de 2015, o governador Paulo Hartung (PMDB) havia dito que isso ocorreria até o fim de seu mandato. Mas desta vez o governo não revelou prazos. Há também a possibilidade de uso das águas da ETE Manguinhos.

Isso reduziria os riscos da Serra ficar sem água, uma vez que Vale e Arcelor são as maiores consumidoras do rio Santa Maria, usando cerca de 1/3 de tudo que é retirado do manancial.

Cesan garante represa do Jucu em Domingos Martins

A semana onde se comemora o Dia Internacional das Águas (22 de março) também foi marcada pelo anúncio do local exato onde será implantada a represa no rio Jucu, que abastece 1 milhão de pessoas em Vila Velha, Cariacica, Viana e Vitória (a parte da ilha). A Cesan garante que a barragem será em Domingos Martins, na serra da Vista Linda, às margens da BR 262.

Porém na última quarta-feira (22), um jornal de circulação estadual chegou a informar que o reservatório ficaria em Vila Velha, local onde além de terrenos mais caros, o Jucu está poluído pela forte carga de esgoto que recebe. Além do risco de salinização nas marés altas. A assessoria de imprensa da Cesan disse que a informação está equivocada.

E contou que a barragem do Jucu em Domingos Martins terá capacidade para 20 bilhões de litros, sendo um pouco menor que a represa de Rio Bonito no Santa Maria, que com seus 26 bilhões de litros é fundamental para que a zona norte da Grande Vitória não fique sem água. Incluindo aí toda a Serra.

Embora tenha iniciado a desapropriação para a barragem do Jucu nesta semana, o Governo não deu previsão de quando a obra começará.

 

    

 

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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