Mesmo com carreiras longas e de destaque, profissionais com ampla experiência buscam se manter atrativos ao mercado, seja aprofundando conhecimento em sua área de atuação, seja explorando novos caminhos profissionais. A verdade é que o conceito de reskilling e upskilling nunca esteve tão presente entre os profissionais sêniores. Em um mercado de trabalho impulsionado pela transformação digital, pela inteligência artificial e por novas formas de atuação, a experiência acumulada continua sendo um diferencial importante, mas já não é suficiente por si só. A capacidade de aprender, adaptar-se e desenvolver novas competências passou a ser tão valorizada quanto a bagagem construída ao longo da carreira.
Se antes a atualização profissional era vista como uma etapa pontual, muitas vezes associada a uma promoção ou mudança de emprego, hoje ela se tornou um processo contínuo. Ferramentas, metodologias e tecnologias evoluem em um ritmo acelerado, fazendo com que profissionais experientes também precisem revisitar conhecimentos, incorporar novas habilidades e ampliar seu repertório para acompanhar as transformações do mercado.
Nesse contexto, os conceitos de upskilling, o aprimoramento de competências já existentes, e reskilling, a aquisição de habilidades para desempenhar novas funções ou atuar em áreas diferentes, deixaram de ser tendências para se consolidarem como estratégias de desenvolvimento profissional. Mais do que responder às exigências das empresas, eles representam uma forma de manter a relevância em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e competitivo.
Para os profissionais sêniores, essa mudança carrega um significado ainda mais profundo. Em vez de enxergar a experiência como ponto final da trajetória, cresce a percepção de que ela pode servir como base para uma nova fase da carreira. O resultado é uma geração de especialistas que, ao mesmo tempo em que compartilha décadas de experiência, demonstra disposição para aprender, inovar e acompanhar as mudanças que redefinem o mundo do trabalho.
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Segundo o relatório “Future of Jobs”, cerca de 60% desses trabalhadores voltam a realizar cursos e estudos em suas áreas para se manterem competitivos, ampliando sua formação e enriquecendo seus currículos. É nesse contexto que se insere a trajetória de Fernanda Franco.
Mesmo com mais de 15 anos de experiência, trilíngue e com trabalhos realizados em grandes empresas de setores bancários, farmacêuticos e construção civil, Fernanda cursa atualmente Contabilidade na Northeastern State University, em Oklahoma, nos Estados Unidos. Essa busca por uma nova graduação, mesmo para quem já possui um MBA e um histórico de liderança em gigantes como Bayer, Santader e Hilti, reflete uma visão estratégica de adaptação ao ecossistema de negócios norte-americano.
Fernanda entende que a senioridade ganha uma nova camada de valor quando combinada com o domínio técnico das normas locais, como as diretrizes do American Institute of Certified Public Accountants. Ao mergulhar no sistema educacional dos Estados Unidos, ela não apenas valida sua experiência internacional e reforça sua base técnica, mas também constrói uma ponte de credibilidade que a permite transitar com segurança entre as complexidades fiscais e contábeis de diferentes países.
A decisão de retornar aos estudos em uma instituição como a Northeastern State University demonstra que o aprendizado contínuo é o novo padrão para o alto escalão corporativo. Dados indicam que executivos que investem em educação continuada após os 40 anos possuem uma taxa de empregabilidade trinta por cento maior em projetos globais.
Para profissionais sêniores, esse movimento funciona como um selo de agilidade mental, provando que a vasta experiência acumulada em décadas de trabalho pode e deve ser oxigenada por novas metodologias e tecnologias. No caso de Fernanda, o foco em contabilidade em solo americano permite que ela atue na vanguarda de discussões sobre políticas tributárias e eficiência financeira, áreas onde a precisão técnica é o único caminho para a sobrevivência de operações de grande porte multibilionárias.
O impacto dessa reinvenção é visível nos resultados entregues em sua trajetória mais recente. Ao gerenciar contas a receber de elevada materialidade financeira e coordenar estruturas de tesouraria internacionais, Fernanda aplica conhecimento acadêmico atualizado para aprimorar e sofisticar processos que já dominava na prática.
Esse ciclo contínuo entre teoria e execução representa o perfil que o mercado reconhece como o profissional do futuro: alguém que não se acomoda ao sucesso anterior e entende que o conhecimento é um ativo dinâmico, estratégico e permanentemente em evolução.
Sua participação em organizações como a Tax Foundation e o Conselho Regional de Administração reforça essa postura de constante atualização, alinhada às tendências e conectada aos debates relevantes da economia global.
O novo perfil da liderança global
O exemplo de Fernanda Franco ilumina um caminho de resiliência para milhares de outros profissionais brasileiros que buscam carreira no exterior. Ela prova que a senioridade não é uma linha de chegada, mas uma base sólida sobre a qual se pode construir novas competências.
Ao equilibrar a pressão de gerir orçamentos de investimentos complexos com a disciplina exigida pelos estudos universitários em Oklahoma, ela se torna um símbolo da nova liderança financeira. É uma liderança que entende que, para comandar as finanças de amanhã, é preciso ter a coragem de ser aprendiz hoje, garantindo que a ética e a técnica caminhem lado a lado na construção de resultados sustentáveis para o mercado internacional.
Autor: Rafael Cardoso

