25.8 C
Serra
sexta-feira, 03 de abril de 2020

Produtos químicos de pátio da Vale caem em águas que abastecem Serra

Leia também

Serra tem 23 casos confirmados de coronavírus, diz Secretaria da Saúde

A Serra registrou mais um caso confirmado do novo coronavírus. De acordo com a última atualização publicada pela Secretaria...

Casagrande anuncia que comércio vai ficar fechado até 12 de abril

Os comércios classificados como não essenciais vão continuar de portas fechadas até o próximo dia 12 de abril. Durante...

Materiais de construção, serviços automotivos e lojas de chocolate poderão funcionar

A partir desta segunda-feira (6), estarão liberados para funcionar as lojas de material de construção e serviços automotivos no...
Redação Jornal Tempo Novohttp://WWW.portaltemponovo.com.br
O Tempo Novo é da Serra. Fundado em 1983 é um dos veículos de comunicação mais antigos em operação no ES. Independente, gratuito, com acesso ilimitado e ultra regionalizado na maior cidade do Estado.

Produtores rurais da região de Aroaba e Muribeca denunciam arraste de produtos químicos para águas e muita poeira. Foto: Divulgação

Substâncias químicas em pátio de armazenamento da Vale estão contaminando águas que abastecem Serra, Vitória, Cariacica e Praia Grande, em Fundão. A denúncia é de produtores rurais e moradores da região de Aroaba, onde a mineradora mantém um Terminal Multimodal de Cargas. É que além do ferro-gusa, o local, que fica às margens de córrego afluente do rio Santa Maria, passou a armazenar cargas dos fertilizantes químicos ureia, KLC (cloreto de potássio) e MAP (fosfato monoamônico), mas as substâncias vazaram para o solo, estrada e caneletas de drenagem do pátio.

No último dia 11 de outubro, a fiscalização ambiental da Prefeitura esteve no local, constatou o vazamento, multou a Vale, mas não confirmou que a contaminação chegou às águas do córrego do Relógio. Mas produtores rurais e funcionários que trabalham disseram que sim.

Os produtos vêm a granel em caçambas basculantes. No pátio, após estocagem, são embarcados em trens da ferrovia Vitória-Minas e levados para o interior do país. Um funcionário que trabalha no pátio – que não terá o nome revelado – confirmou que houve carreamento de fertilizantes para o córrego.

O Rio Santa Maria abastece grande parte da Serra. Foto: Bruno Lyra / Arquivo TN

“O rejeito desse adubo, a Vale joga no córrego. Teve matança de peixe. Não sei por qual motivo continuam o trabalho (no pátio). Nessa seca em que a gente está e a quantidade de caminhão pipa que estão usando para tirar a água e molhar a estrada, o córrego está quase seco. Ureia também cai da basculante das carretas na estrada”, diz o produtor rural Eduardo Trabach, que cria gado de leite na região.

Jozi Pimentel Neto Barcelos, cujos pais idosos nasceram e ainda moram na região, lembrou que os impactos não são apenas locais, uma vez que cerca de 3 km após o pátio da Vale, o córrego Relógio cai no rio Santa Maria. E isso é pouco acima do ponto onde a Cesan capta água para abastecer a Serra, a zona norte de Vitória e partes de Cariacica e Fundão – cerca de 600 mil pessoas -, além da planta da própria Vale e Arcelor em Tubarão. “Não pode a Vale estar lucrando, se beneficiando e os moradores prejudicados”, afirma.

Poeira na estrada castiga comunidade rural

Os problemas com as atividades da Vale em Aroaba não se restringem ao carreamento de substâncias químicas para solo e rios. Para a comunidade da região, a poeira do intenso tráfego de caminhões truck e caçambas é um prejuízo ainda maior.

“A Vale começou a usar essas carretas de uns meses para cá e só aumentou. Não estamos aguentando mais tanta poeira. Estão usando uma estrada vicinal que não é apropriada para esse tipo de transporte. A Vale precisa asfaltar, pois está prejudicando demais as pessoas”, observa o proprietário rural de Muribeca, Gustavo Lorençon Barcelos.

“É uma situação dolorosa. Essas carretas são dia e noite. Operei do coração há pouco tempo, não poderia nem estar aqui. Teve uma semana que fiquei uma hora na varanda e contei 28 carretas carregadas jogando poeira na casa da gente, sujando tudo, provocando alergias”, conta Hamilton Pupe, idoso e dono de um sítio às margens da estrada.

Vale e Naja multadas 

As operações no pátio estão sendo feitas pela empresa Naja. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), em 11 de outubro fiscais flagraram um efluente vermelho e amarelo proveniente de fertilizantes ureia e KCL nas canaletas de drenagem do pátio e no solo. Embora tais canaletas caiam no córrego, a Semma disse não ter constatado presença dos produtos químicos na água do manancial.

Segundo a assessoria da Semma, Naja e Vale foram multadas. Os valores não foram informados.  A reportagem não encontrou representantes da Naja. Já a assessoria da Vale não mandou resposta até o fechamento desta edição, às 18h de ontem (7).

Comentários

Mais notícias

Casagrande anuncia que comércio vai ficar fechado até 12 de abril

Os comércios classificados como não essenciais vão continuar de portas fechadas até o próximo dia 12 de abril. Durante uma coletiva de imprensa realizada...

Materiais de construção, serviços automotivos e lojas de chocolate poderão funcionar

A partir desta segunda-feira (6), estarão liberados para funcionar as lojas de material de construção e serviços automotivos no horário das 10 às 16...

ES registra segunda morte por coronavírus, diz Casagrande

O Espírito Santo registrou a segunda morte causada pelo novo coronavírus. A informação foi dada pelo governador Renato Casagrande (PSB) durante uma coletiva de...

Covid-19 | Espírito Santo vai receber mais de 9 mil testes rápidos

O Ministério da Saúde iniciou, na quarta-feira (1º), a distribuição dos 500 mil testes rápidos para diagnóstico de coronavírus (Covid-19) no país. Os testes...

VOCÊ TAMBÉM PODE LER

CONTEÚDO PATROCINADO

Comentários
close-link
close-link
CLIQUE AQUI e receba as principais noticias sobre o coronavírus na Serra e no ES pelo seu WhatsApp
error: Não copie! Compartilhe o conteúdo!
Precisa falar com o Tempo Novo? Envie sua mensagem