A rede municipal de saúde da Serra atende, de forma recorrente, moradores de outros municípios da Grande Vitória e do entorno, impulsionada pela proximidade geográfica e pela facilidade de acesso aos serviços. A informação foi destacada pelo prefeito Weverson Meireles durante participação em podcast.
Segundo o prefeito, apenas em 2025, cerca de 37% dos atendimentos realizados na UPA de Carapina foram destinados a pacientes que não residem na Serra. A maioria desses atendimentos, de acordo com ele, é de moradores de Vitória.
O gestor ressaltou que o Sistema Único de Saúde (SUS) é unificado e garante atendimento a todos os cidadãos, independentemente do município de origem. No entanto, lembrou que o financiamento da saúde básica e de urgência é feito com orçamentos municipais, o que gera desafios para cidades que acabam absorvendo uma demanda regional maior.
PIB alto não significa maior arrecadação
Durante a conversa, Weverson Meireles também esclareceu uma percepção comum em relação à capacidade financeira do município. Apesar de a Serra ter o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo, o prefeito destacou que isso não se traduz automaticamente em maior arrecadação para a prefeitura.
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Segundo ele, Vitória é o município com maior receita do Estado, e quando se analisa a receita per capita, a Serra aparece entre os últimos colocados. O fator, segundo o prefeito, ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas para sustentar uma rede de saúde que atende uma população além de seus limites territoriais.
Atendimento regional também em Castelândia
A situação se repete em outras unidades do município. Na UPA de Castelândia, mais de 20% dos atendimentos são destinados a moradores de fora da Serra. Entre eles, estão pacientes de Fundão, principalmente em função da proximidade com a região de Praia Grande.
O prefeito informou que o município está estruturando uma unidade regional de saúde em Nova Almeida, que deverá ampliar a oferta de serviços tanto para os moradores da região quanto para cidades vizinhas, incluindo Fundão. Segundo ele, a iniciativa também beneficia outros municípios ao desafogar parte da demanda concentrada na Serra.
Debate sobre gestão metropolitana
Ao ser questionado sobre a defesa histórica do ex-prefeito Sérgio Vidigal pela criação de uma autoridade metropolitana, Weverson Meireles afirmou que a medida representaria um avanço institucional para a Grande Vitória.
De acordo com o prefeito, uma autarquia ou autoridade regional permitiria discutir políticas públicas de forma integrada, especialmente em três áreas estratégicas: saúde, segurança pública e mobilidade urbana, incluindo o transporte coletivo. A proposta envolveria planejamento conjunto e uso compartilhado de orçamento para demandas que afetam toda a região metropolitana.
Segundo Weverson, a construção desse modelo poderia trazer mais equilíbrio na oferta de serviços e maior eficiência na aplicação dos recursos públicos, diante de uma realidade em que os municípios estão cada vez mais interligados.