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sábado, 19 de setembro de 2020

Pó preto inspira arte e protesto de capixaba há 24 anos

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Referência na luta dos moradores da Grande Vitoria contra a poluição por pó preto, o pintor capixaba Kléber Galveas acaba de lançar mais um quadro feito com o material ferroso despejado no ar pelas indústrias siderúrgicas. A obra mostra uma pessoa com máscara no rosto – cena que ficou comum com pandemia da covid-19 – onde está escrito “Pó Preto”. O quadro tem ainda a inscrição “A Vale, a Vaca e o Nosso Problema”.

Quadro da 24ª edição do projeto A Vaca, a Vale e a Pena. Foto: Divulgação

Este é a 24ª edição do projeto ‘A Vaca, a Vale e a Pena’, cujo título faz alusão direta à mineradora Vale, âncora das unidades siderúrgicas da ponta de Tubarão (lá também está ArcelorMittal) e responsável há mais de meio século pela emissão de pó preto na região metropolitana dos capixabas.

Iniciado em 1997, ano em que a então Companhia Vale do Rio Doce (hoje é só Vale) fora privatizada, o projeto tem uma metodologia.  Para fazer o quadro, Kléber recolhe o pó preto acumulado no prazo de 50 dias (entre 17 de março e seis de maio) sobre a mesa que fica varanda coberta de sua casa/atelier na Barra do Jucu, Vila Velha, distante cerca de 30 km ao sul do complexo de Tubarão.  Com o pó, usa diretamente os dedos sobre a tela branca para montar a sua composição. Veja aqui o vídeo da feitura do quadro desta 24ª edição do projeto.

O pó, matéria prima do artista, é o mesmo material escuro e brilhante que os moradores da Serra, Vitória, Vila Velha e Cariacica percebem ao limparem suas casas e utensílios domésticos. Pó que também vai parar no sistema respiratório das pessoas, sendo gatilho para deflagração ou agravamento de doenças respiratórias crônicas e alergias. E como lembrou em março a médica da Sociedade Capixaba de Pneumologia, Ciléia Martins, o pó preto piora a saúde de quem tem doença respiratórias crônicas, grupo de risco à covid-19 segundo a Organização Mundial da Saúde.

Kleber Galveas chama atenção para doenças respiratórias geradas e/ou agravadas pelo pó preto. Foto: Divulgação

Para provar que a poeira tem partículas de ferro, Kléber faz um experimento curioso. Com o pó preto colocado sobre cartolina branca, o artista usa um imã na face oposta da folha para atrair as partículas. Confira aqui o vídeo do artista demonstrando a experiência .

Kléber afirma que o projeto A Vaca, a Vale e a Pena “é uma provocação artística para o governo, a mídia e as nossas instituições de ensino discutirem o problema da poluição atmosférica aqui na Grande Vitória, que nos parece tão ou até mais grave que os acidentes  (rompimento das barragens da mineração), que aconteceram em Minas Gerais”.

Além de pintor, Kléber Galveas também é restaurador de quadros, escritor, ativista ambiental e cultural. Mais informações sobre as diversas frentes em que atua o artista podem ser conferidas no site https://www.galveas.com/.

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