
Os responsáveis pelas três crianças que foram flagradas pichando ameaças de massacre em escola da Serra terão que prestar depoimento para a Polícia Civil. Os adolescentes – que possuem menos de 12 anos – foram identificados pela Guarda Civil Municipal através do cerco eletrônico da cidade, que flagrou o exato momento em que as frases intimidadoras eram escritas na unidade escolar de Balneário de Carapebus.
O Jornal Tempo Novo apurou que os pais, mães ou responsáveis pelas três crianças foram intimados para prestarem esclarecimentos e devem ir até a delegacia, localizada em Jardim Limoeiro, nesta sexta-feira (31). A informação é da comandante da Guarda da Serra, Laís Araújo.
De acordo com a comandante, as crianças foram flagradas realizando as pichações na quarta-feira (29), na EMEF Carla Patrícia, em Balneário de Carapebus. Na quinta-feira (30), a Polícia Civil e a Guarda da Serra estiveram na escola e conseguiram identificar os autores. Logo em seguida, intimaram os responsáveis.
“A Guarda e a Polícia Civil trabalharam juntos para identificar as crianças e os responsáveis, que serão responsabilizados”, disse Laís.
Ainda de acordo com Laís, a identificação dos autores das ameaças só foi possível por conta do cerco eletrônico da Serra – o programa Olho Vivo – e a atuação da Guarda Municipal.
“É muito importante ressaltar que a ação rápida da Guarda e a integração das escolas com o Olho Vivo foram fundamentais para identificar os autores da pichação e garantir a segurança dos alunos e funcionários da instituição”, afirmou.
O que diz a Polícia Civil?
O Jornal Tempo Novo entrou em contato com a Polícia Civil e com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), mas ainda não obteve retorno. A demanda foi enviada na noite da quinta-feira (30).
Já na manhã desta sexta-feira, o assessor responsável pela Sesp foi acionado através do WhatsApp, mas se limitou a dizer que as respostas serão repassadas por e-mail, sem informar um prazo.
Desta forma, é importante ressaltar que – apesar das informações repassadas pela Guarda da Serra – a Polícia Civil ainda não confirmou que os responsáveis pelas crianças serão ouvidos nesta sexta-feira.
Entenda a ameaça de massacre na escola da Serra
Câmeras flagram suspeitos de pichar mensagens ameaçadoras sobre massacre na EMEF. Carla Patrícia de Oliveira Paula, Balneário de Carapebus. A imagem está pixelada pois aparentemente trata-se de três jovens menores de idade. pic.twitter.com/tJEHjMPtx9
— Jornal Tempo Novo – Serra/ES (@portaltemponovo) March 30, 2023
Na tarde da quarta-feira (29), câmeras de videomonitoramento registraram três crianças pichando mensagens ameaçadoras de possíveis massacres no muro da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Carla Patrícia, em Balneário de Carapebus. A Guarda Municipal da Serra (GCM) identificou rapidamente os autores das frases.
O Jornal Tempo Novo teve acesso com exclusividade as imagens do Olho Vivo – cerco eletrônico da Serra. Os vídeos mostram o momento em que os três adolescentes se aproximam da unidade escolar e escrevem as ameaças nos muros.
De acordo com a Prefeitura da Serra, desde o surgimento de boatos recentes envolvendo crimes em escolas, as secretarias municipais de Defesa Social (Sedes) e Educação (Sedu) intensificaram as medidas de segurança para tranquilizar a população.
Vale ressaltar que essa não é a primeira ameaça de massacre registrada em uma escola da Serra durante este ano. Somente no mês de março, o Jornal Tempo Novo noticiou quatro boatos de possíveis ataques às escolas (entenda mais abaixo).
O Município ainda afirmou que as escolas da rede municipal de ensino da Serra estão integradas com o Olho Vivo e os agentes da Guarda Civil Municipal realizam visitas diárias no entorno das unidades de ensino.
Medidas de prevenção nas escolas da Serra
O secretário da Defesa Social, Joel Lyrio, explicou que o projeto Serra Protege é uma parceria entre a Secretaria de Defesa Social e a Secretaria Municipal de Educação, que visa implementar ações preventivas nas escolas municipais.
“É importante ressaltar que a ação rápida da Guarda Municipal da Serra e a integração das escolas com o programa Olho Vivo foram fundamentais para identificar os autores da pichação na escola municipal e para garantir a segurança dos alunos e funcionários da instituição”, destacou o secretário.
Ele também destacou que o programa de câmeras de videomonitoramento nas escolas municipais, em conjunto com o Projeto Olho Vivo, constitui o maior programa de segurança municipal do Espírito Santo.
Secretária pede atenção das famílias de alunos
A secretária de Educação, Luciana Galdino, ressaltou a importância de alertar as famílias sobre a necessidade de conversar com os filhos para que não compartilhem informações falsas ou se envolvam em situações que causem pânico. Ela também destacou as consequências de falsas ameaças no dia a dia escolar, como a suspensão de aulas e o abalo emocional.
“Faz-se necessário que as famílias estabeleçam uma relação de diálogo, orientação e acompanhamento familiar com seus filhos. As famílias precisam saber com quem seus filhos conversam e o que fazem nas redes sociais e nos grupos de amigos”, enfatizou a secretária.
Ocorrências noticiadas pelo Tempo Novo em março na Serra
1ª ameaça: numa segunda-feira, no dia 06 de março, por meio de mensagens anônimas em redes sociais, um indivíduo autointitulado “anjo da morte” afirmou que faria um ataque na escola estadual Iracema Conceição da Silva, em Chácara Parreiral, e citou diretamente a diretora da unidade escolar.
2ª e 3ª ameaça: na sexta-feira, dia 24 de março, foram registradas mais duas ameaças de massacre em escolas da Serra, todas no bairro Cidade Continental: a Escola Municipal Irmã Cleusa, no setor Europa, e a outra na Escola Estadual Zumbi dos Palmares, setor Oceania. As ameaças foram feitas por meio de um perfil falso no Instagram.
4ª ameaça: na segunda-feira, dia 27 de março, novamente pais, alunos e professores da escola Irmã Cleusa, em Cidade Continental, foram surpreendidos com o boato de atentado. Um indivíduo pichou no muro da escola a frase “Massacre 30/03”.
