Um estudo recente publicado em periódico científico do grupo Nature evidencia as dificuldades enfrentadas por pacientes com lipedema para obter diagnóstico e tratamento adequado no Brasil.
O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente em pernas, coxas, quadris e, em alguns casos, braços. A doença afeta predominantemente mulheres e frequentemente é confundida com obesidade, o que contribui para atraso no diagnóstico.
“O diagnóstico inadequado é muito prejudicial, pois contribui para um tratamento tardio, favorecendo a progressão da doença, o aumento dos sintomas e o impacto na qualidade de vida das pacientes. O tratamento da obesidade não é o mesmo utilizado no manejo do lipedema”, explica a médica cirurgiã plástica Patricia Lyra, referência no tratamento da doença.
O estudo também chama atenção para a dificuldade de reconhecimento da doença e para a prescrição de tratamentos que muitas vezes não são eficazes para o lipedema. Medicamentos como diuréticos, por exemplo, são frequentemente utilizados em quadros de edema, mas têm benefício limitado nessa condição específica, segundo a cirurgiã.
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Para a médica Patricia Lyra, os achados da pesquisa confirmam o que especialistas já observam na prática clínica. “Este estudo é importante porque sistematiza conhecimentos que antes estavam dispersos e reforça que o lipedema é uma condição distinta, que não deve ser confundida com obesidade comum.”
O trabalho científico reforça que medidas como alimentação equilibrada, prática de atividade física, fisioterapia e terapias compressivas podem contribuir para melhora dos sintomas e da qualidade de vida, embora não eliminem a doença.
“O tratamento precisa ser individualizado e integrado porque cada paciente apresenta um quadro clínico próprio, com diferentes graus de sintomas e limitações”, explica a cirurgiã plástica ao TN.
Embora o reconhecimento do lipedema venha crescendo nos últimos anos, especialistas relatam que muitas pacientes ainda enfrentam dificuldades para obter diagnóstico e acompanhamento adequado na rede pública de saúde.
“Há uma carência clara de capacitação dos profissionais da atenção básica para reconhecer e encaminhar corretamente os casos”, afirma Patricia Lyra.
O estudo também destaca que intervenções cirúrgicas específicas, como a lipoaspiração adaptada para lipedema, podem trazer benefícios em casos selecionados, especialmente quando o tratamento conservador não é suficiente.
“A intervenção cirúrgica pode contribuir para redução da dor, melhora da mobilidade e da qualidade de vida das pacientes. No entanto, a indicação deve ser criteriosa, baseada em avaliação individualizada e no estágio da doença”, conclui a médica.

