Perícia de imagens para investigar morte de gata em condomínio de luxo na Serra

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A deputada Janete de Sá preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra Maus-Tratos a Animais. Foto: Divulgação Ales
A deputada Janete de Sá preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra Maus-Tratos a Animais. Foto: Divulgação Ales

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra Maus-Tratos a Animais vai solicitar à Delegacia de Crimes Eletrônicos que realize perícia em imagens internas do circuito de TV do Condomínio Igarapé, na Serra, na tentativa de descobrir quem envenenou Eva, uma gata de pouco mais de um ano de idade, encontrada morta há poucas semanas dentro do conjunto residencial.

A gata havia sido resgatada das ruas e adotada por uma família residente no condomínio. Laudo veterinário apresentado na reunião da CPI na noite de segunda-feira (4) atesta que foi encontrado veneno conhecido popularmente como chumbinho nas vísceras de Eva.

A dúvida da CPI é se o animal ingeriu o produto dentro do condomínio Igarapé, num conjunto residencial anexo ou num raio de até 200 metros desses locais. A CPI baseia-se em informações de médicos veterinários de que os felinos que ingerem chumbinho não conseguem andar distância superior a essa extensão.

Flagrado em conversas de WhatsApp na qual moradores fazem apologia à morte de gatos, o síndico do Igarapé, Lucimar Verturi, negou envolvimento ou conhecimento sobre a autoria do crime. Ele se comprometeu em fornecer para a CPI imagens do circuito interno do condomínio.

“Vamos ver se nada foi apagado (nos arquivos do circuito) e se há indícios que nos levem à autoria desse crime”, afirmou a deputada Janete de Sá (PMN), presidente da CPI.

O advogado Leonardo Nunes Matos, acusado de matar uma gata, encontrada morta em terreno perto do Parque Pedra da Cebola, na Mata da Praia (Vitória), apesar de convocado, não compareceu. A CPI analisa com os procuradores da Casa a possibilidade de conduzi-lo de forma coercitiva.

Brincadeira

Verturi tentou minimizar a gravidade das conversas de WhatsApp da qual ele participou em que moradores do Igarapé fazem apologia à morte de gatos, considerando que tudo não passou de comentário em tom de brincadeira por pessoas irritadas com animais que andam à solta na localidade.

Ele disse não acreditar que algum morador possa ser levado a sério por insinuar, por exemplo, que comida de gato é boa para se fazer churrasquinho.

Janete de Sá advertiu o depoente ao citar que tramita no Senado, depois de passar pela Câmara Federal, projeto de lei que agrava as penalidades contra maus-tratos a animais.

A matéria, explicou a deputada, avança na temática ao estabelecer que animais devam ser tratados como seres vivos e não apenas como “coisas”. Para Janete de Sá, suposta brincadeira de que carne de gato é bom para churrasco é um exemplo de situação em que bichos são vistos como simples coisas ou objetos.

O síndico disse que, além de Eva, outro gato foi encontrado morto no condomínio Igarapé desde que ele foi eleito para o posto há seis meses.

Ele afirmou que, apesar de o condomínio prever punições para condôminos que deixam animais circularem soltos nas áreas de uso comum, cachorros sem coleira e felinos sempre são motivo de discussões entre moradores.

Verturi argumentou que, apesar disso, estava tentando resolver o problema com a conscientização dos donos dos animais, por meio de informativos.

Próxima reunião

Segundo informações da Web Ales os deputados da CPI agendaram a próxima reunião do colegiado para quarta-feira (13). Serão investigadas denúncias de que a cada semana cerca de cinco gatos são atendidos em clínicas veterinárias da Serra devido a envenenamento.

Janete de Sá explicou que a comissão de inquérito vai solicitar à Delegacia de Crimes Ambientais que ajude nas investigações de todas as informações que estão sendo repassadas aos deputados sobre torturas e mortes de animais em todo o Estado do Espírito Santo.

“Há casos de animais que são envenenados, afogados, estrangulados, jogados ao mar da Terceira Ponte (que liga Vitória e Vila Velha) e outras atrocidades. Não podemos deixar que isso continue impune”, afirmou a parlamentar.

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