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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Para secretário, decreto de Bolsonaro trará mais assassinatos para a Serra

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Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br/
Morador da Serra, Gabriel Almeida é repórter do Tempo Novo há mais de quatro anos. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal.

Nylton Rodrigues criticou duramente decreto do presidente Bolsonaro. Foto: Divulgação

Yuri Scardini / Gabriel Almeida 

O novo decreto do Governo Bolsonaro que facilita o porte de armas para profissionais de diversas áreas, como caminhoneiros, advogados e políticos, pode aumentar o número de homicídios na Serra. O alerta é do secretário de Defesa Social da Serra, Nylton Rodrigues, que classificou a proposta de armar a população para combater a violência como “ineficaz” e “irrealista”.

Nylton se baseia em pesquisas e estudos científicos que, segundo ele, mostram que mais armas nas ruas aumentariam a violência e isso faria com que os índices de homicídios voltassem a crescer no município. “Uma pesquisa do Atlas da Violência de 2017 aponta que para cada 1% de aumento na disponibilidade de armas de fogo ocorre um incremento de 2% nas taxas de homicídio nas cidades brasileiras. Com o aumento de armas de fogos circulando nas ruas, a Serra pode sair dessa trajetória de redução de homicídios”, afirma.

Ele lembra que o município teve recuo de 40% nos índices de homicídios e que, pela primeira vez em 23 anos, não lidera os percentuais de mortes no Espírito Santo. Entretanto, essa tendência de queda pode estar em risco devido à facilitação de armas no Brasil. “O que pode acontecer com o novo decreto é retornar uma trajetória de aumento nos homicídios. Esse é o grande medo”, alerta.

Segundo o secretário, a maioria das armas que a Polícia apreende foi comprada legalmente e acabou no mercado negro. “60% das armas entraram legalmente e foram parar no mercado negro. São armas que as pessoas compram e são furtadas ou roubadas delas. O cidadão que anda armado vira alvo dos criminosos. Mais armas no mercado faz com que o preço no mercado negro também caia, tornando-as mais acessíveis para bandidos que antes não tinham condições de obtê-las”, disse.

O secretário critica a política de armar a população para contornar a violência. “Propostas que prometem extinguir a violência de forma instantânea, na verdade, mostram-se ineficazes, irrealistas e caras ao contribuinte”, afirma.

Mais armas nas ruas

O decreto de Bolsonaro assinado na última quarta-feira (08) também facilita o porte de armas para caçadores, colecionadores e atiradores. Além disso, profissionais como jornalistas, caminhoneiros, advogados e políticos – de presidente a vereador – terão o acesso facilitado para portar uma arma de fogo.

Com o decreto, Bolsonaro altera um dos requisitos do “Estatuto do Desarmamento” para obter direito a porte de arma. O trecho alterado é o que afirma que o interessado precisa comprovar “efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física”.

Já o decreto afirma que a comprovação de efetiva necessidade será entendida como cumprida para as pessoas citadas no documento.

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