A Polícia Civil prendeu em flagrante um homem suspeito de abusar sexualmente da enteada, uma menina de 11 anos, na Serra. Segundo a corporação, os abusos aconteciam de forma reiterada e sob graves ameaças de morte. A prisão saiu depois que a própria criança usou o celular para pedir socorro ao tio por mensagem. A polícia também indiciou a mãe da vítima, por omissão.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito ameaçava a menina de morte para garantir o silêncio dela. Por isso a delegacia registrou o flagrante por dois crimes: estupro de vulnerável e ameaça.
O Tempo Novo teve acesso às mensagens que a menina enviou aos familiares na noite anterior ao registro policial. O conteúdo escancara o medo da criança. Ela conta o que vinha sofrendo, repete várias vezes que tem pavor do padrasto e diz temer o que ele faria caso descobrisse a conversa. Também pede aos parentes que não contem nada à mãe e que apaguem as mensagens.
O tio responde no mesmo tom de urgência. Ele insiste que vai buscá-la naquele momento e pede que ela confie nele. A menina hesita, com medo da reação do homem, mas acaba aceitando. A troca de mensagens dura poucos minutos e termina com o combinado do resgate, que aconteceu na manhã seguinte.
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Menina pediu socorro por mensagem
Na noite de quarta-feira (26 de agosto), a menina mandou mensagens ao tio contando que o padrasto havia abusado dela. Nas conversas, ela demonstrava medo do homem e pedia para ser retirada de casa. No dia seguinte, o tio e a tia procuraram a DPCA e apresentaram o material aos policiais.
Na manhã de sexta-feira (28 de agosto), depois que o suspeito saiu para trabalhar, os dois foram até a casa onde a menina morava e a levaram para a delegacia. Ali ela foi acolhida pelo setor psicossocial. Hoje a criança está sob os cuidados desses familiares, um tio biológico, irmão da mãe, e a esposa dele.
O delegado Leonardo Ávila, chefe da Divisão Especializada da Região Metropolitana, destacou a atitude do casal. Segundo ele, o tio e a tia fizeram o que a mãe deveria ter feito primeiro.
Caso já tinha registro desde 2020
A investigação revelou que esse mesmo homem já havia sido denunciado antes. Em 2020, quando a menina tinha 5 anos, a própria mãe registrou uma ocorrência policial contra ele pelo mesmo motivo. O caso virou inquérito, a polícia concluiu a apuração e encaminhou o indiciamento do suspeito à Justiça.
O Ministério Público então pediu o depoimento especial da vítima. Antes disso acontecer, no entanto, a família deixou o Espírito Santo. A Justiça não localizou mais nem a mãe nem a menina, e o procedimento ficou parado à espera desse depoimento.
Abusos continuaram na Bahia e voltaram na Serra
A criança morava com o padrasto desde os 3 anos de idade. Ao longo do relacionamento, a mãe teve outros três filhos com o suspeito. Não há registro de abuso contra essas crianças.
A família morou alguns anos em Nova Venécia e depois se mudou para a Bahia, onde ficou de quatro a cinco meses. Segundo o relato da vítima ao setor psicossocial, os abusos também aconteciam naquele período. Há cerca de um mês, todos voltaram ao Espírito Santo e passaram a morar na Serra. Foi quando os crimes voltaram a acontecer, de acordo com a investigação.
O grupo vivia em situação de vulnerabilidade, em uma kitnet de aluguel. Segundo os familiares, o cômodo tinha duas camas: uma para o casal e outra para as quatro crianças.
Mãe é indiciada por omissão
A polícia interrogou a mãe da menina, que negou tudo. Ela afirmou ter descoberto os abusos apenas na sexta-feira, pela tia da criança. A investigação, porém, mostrou o contrário, já que ela mesma havia feito o registro policial em 2020. A menina ainda relatou que pediu ajuda à mãe diversas vezes, sem resposta.
Diante disso, a polícia indiciou a mãe por omissão imprópria, prevista no artigo 13, parágrafo 2º, do Código Penal. O dispositivo responsabiliza quem tem o dever legal de proteger e, podendo agir, não age. Ela não foi presa. Os outros três filhos continuam com ela.
Prisão em flagrante virou preventiva
Após o registro do caso, a polícia determinou diligências e localizou o suspeito trabalhando em Vitória. Ele atua como servente de obra. A equipe fez a detenção e o levou à DPCA, onde a delegacia lavrou o auto de prisão em flagrante. No interrogatório, o homem negou todos os fatos.
Mesmo com a negativa, a autoridade policial reuniu o relato da vítima, os depoimentos das testemunhas e as mensagens enviadas aos familiares. Além disso, o laudo do Instituto Médico Legal constatou vestígios de violência sexual. A polícia então concluiu o inquérito ainda dentro do flagrante e encaminhou o caso à Justiça. Na audiência de custódia, a autoridade judiciária e o Ministério Público converteram a prisão em flagrante em prisão preventiva.
