Peças no tabuleiro eleitoral

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Yuri Scardini 

A Serra tem sido muito visada no que tange à eleição para prefeito, e por uma razão muito simples – não somente pelo orçamento bilionário (estimado em R$ 1,7 bilhão em 2019): após 12 anos, o prefeito Audifax Barcelos (Rede) e o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) não irão se enfrentar diretamente nas urnas. Fato que deixa a eleição bastante “sedutora” para a classe política.

Ambos, porém, são figuras centrais no contexto eleitoral. Invariavelmente, Audifax estará na eleição, seja apoiando explicitamente um candidato ou dando suporte pelos bastidores.

Entretanto, a quase um ano do pleito, ainda não está claro quem seria este nome. As apostas recaíam sobre o coronel Nylton Rodrigues, que figurava no secretariado de Audifax, mas essa possibilidade se reduziu na semana passada após o militar pedir exoneração do cargo. Ainda não se descarta totalmente que Nylton esteja na disputa; vale lembrar que, ao TEMPO NOVO, o coronel deu a senha: “se a eleição fosse hoje eu não seria candidato”. Como a eleição de fato não é hoje, então, assume-se que Nylton pode sim ser candidato.

Outra incógnita é Vidigal. Apesar de ter se desidratado politicamente, o ex-prefeito é um força com muita expressão nas urnas. Ocorre que Vidigal enfrenta processos judiciais que podem deixá-lo inelegível até 2020. Recentemente, ele foi condenado por nepotismo, mas não foi penalizado com a perda dos direitos políticos. No entanto, adversários para pedir impugnação da chapa com base na Lei da Ficha Limpa não faltam, o que pode dar dor de cabeça ao deputado.

Apesar disso, comenta-se que Vidigal tem se animado com a eleição. Ele tem transitado bem entre lideranças comunitárias e intensificou muito sua atividade parlamentar. Hoje, entende-se que Vidigal é candidato.

Outro figurão neste jogo é o deputado Amaro Neto (PRB). Ao TEMPO NOVO, ele já expressou a possibilidade de ser candidato a prefeito da Serra. Amaro tem histórico de grandes votações no município. No início do ano, ele abriu um escritório em Laranjeiras e se aproximou de lideranças locais, como Audifax e o deputado estadual Alexandre Xambinho (Rede). Este, aliás, deve se filiar ao partido de Amaro e prepará-lo para eleição na Serra.

Emergentes, ma non troppo

Quem surge bem posicionado em pesquisas eleitorais de consumo interno de partidos, às quais o TEMPO NOVO teve acesso, é o deputado Vandinho Leite (PSDB). Discreto ao tratar do tema, Vandinho prefere não antecipar. Entretanto, em uma das raras declarações sobre o tema, ele disse ao jornal que o PSDB (do qual é presidente estadual) deve lançar 40 candidatos para prefeituras capixabas e que a Serra estaria nesse contexto.

O que pode jogar a favor de Vandinho é o seu mandato de deputado estadual, que tem tido muito apelo popular – especialmente pela campanha contra a EDP -, tem encurralado a empresa campeã de reclamações no Espírito Santo e dado forte recall ao parlamentar.

Outros que estão na corrida são Xambinho (já citado) e o secretário de Estado Bruno Lamas (PSB). Xambinho tem se movimentado muito bem nos bastidores; aproximou-se do grupão de Amaro Neto e do presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), o que pode dar sustentação a uma possível candidatura.  No entanto, ainda carece de mais popularidade e mais presença nas ruas e nas redes sociais.

Já Bruno é cotadíssimo e tem o apoio de muitas lideranças locais; mas, politicamente, está isolado.  Há dúvidas sobre o apoio do governador Renato Casagrande. Recentemente, uma fonte em off vazou uma reunião entre Casagrande e Amaro, em que o governador teria “oferecido” apoio em uma futura candidatura na Serra com o objetivo de desobstruir a eleição em Vitória e atender aos aliados do PPS.

Bruno se mudou da Assembleia para a Setades, e ainda suscitam dúvidas no metiér político se esta foi uma decisão acertada. Preso em agendas internas e reuniões enfadonhas, Bruno tem perdido a pegada da rua.

Bolsonaro X Lula versão local

Outras forças que querem estar presentes na eleição são os antagonistas PSL de Bolsonaro e PT de Lula. O secretário da Casa Civil, Carlos Manato (PSL), tem estruturado a sigla na Serra e já disse ao TEMPO NOVO que pode ser o candidato. Ele tem relação umbilical com a imagem do presidente; portanto, seu tamanho na eleição será ditado pela popularidade de Bolsonaro até lá. Já o PT pode lançar a deputada e ex-ministra de Dilma, Iriny Lopes. São conversas recentes ainda, mas têm potencial para embaralhar o jogo.

Correm por fora outros nomes e siglas, como o pentacampeão mundial de beach soccer, Goleiro Mão, que adiantou ao jornal que quer ser candidato. Ele ainda busca partido. Também tem a turma do partido Novo, que está animado com o recente salto de filiados e promete lançar um candidato, mas ainda não definiu nomes.

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