O novo valor do Bolsa Família começa a cair na conta dos beneficiários em 19 de outubro. O decreto que o governo federal publicou na quinta-feira (17) corrige os benefícios em 15,04% e eleva o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 por família. A conta, porém, não é igual para todo mundo. Os R$ 691 são o mínimo garantido, e muitas famílias vão receber mais que isso, conforme o número de pessoas na casa e a idade delas.
O Decreto nº 13.120 saiu em edição extra do Diário Oficial da União. Ele aplica a inflação medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. É a primeira correção desde que o programa voltou ao formato atual, em 2023. Com a mudança, o benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. No Espírito Santo, o programa atendia 275.484 famílias em janeiro deste ano, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
O que muda no novo valor do Bolsa Família
O benefício é a soma de várias parcelas, e todas foram corrigidas:
- Benefício de Renda de Cidadania: pago por pessoa da família, sobe de R$ 142 para R$ 164.
- Benefício Primeira Infância: pago por criança de zero a 7 anos incompletos, passa de R$ 150 para R$ 173.
- Benefício Variável Familiar: pago por gestante, nutriz ou criança e adolescente de 7 a 18 anos incompletos, vai de R$ 50 para R$ 58.
- Benefício Complementar: completa o valor quando a soma fica abaixo do piso, que agora é de R$ 691.
Quanto sua família vai receber com o reajuste do Bolsa Família
A lógica funciona assim: cada integrante gera R$ 164. Se essa soma não chega a R$ 691, o governo completa a diferença. Depois disso, os adicionais por criança, adolescente ou gestante entram por cima.
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Veja três exemplos simulados pela reportagem com base nas regras do programa:
- Pessoa que mora sozinha: recebia R$ 600 e passa a receber R$ 691, um aumento de R$ 91.
- Mãe com um filho de 3 anos e outro de 10: recebia R$ 800 e passa a R$ 922. A família tem direito ao piso de R$ 691, ao adicional de R$ 173 pela criança pequena e aos R$ 58 do filho mais velho. São R$ 122 a mais por mês.
- Casal com três filhos de 2, 8 e 12 anos: as cinco pessoas somam R$ 820, valor que já supera o piso. Com os adicionais, o total vai de R$ 960 para R$ 1.109, um ganho de R$ 149.
Ainda assim, o valor final depende do cadastro de cada família. Quem está na Regra de Proteção, por exemplo, pode receber um valor diferente. Por isso, a consulta oficial deve ser feita no aplicativo Bolsa Família, no Caixa Tem ou pelo Disque Social 121.
Calendário do Bolsa Família em outubro
O pagamento segue o final do Número de Identificação Social (NIS) do responsável familiar:
- NIS final 1: 19 de outubro
- NIS final 2: 20 de outubro
- NIS final 3: 21 de outubro
- NIS final 4: 22 de outubro
- NIS final 5: 23 de outubro
- NIS final 6: 26 de outubro
- NIS final 7: 27 de outubro
- NIS final 8: 28 de outubro
- NIS final 9: 29 de outubro
- NIS final 0: 30 de outubro
Regras para entrar no programa continuam iguais
O decreto mexe apenas nos valores. Para ter direito, a família continua precisando ter renda mensal de até R$ 218 por pessoa e estar inscrita no Cadastro Único, com os dados atualizados.
Reajuste a duas semanas da eleição
O anúncio acontece a pouco mais de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Segundo a Advocacia-Geral da União, a correção pela inflação não se enquadra na vedação eleitoral, já que não altera critérios de acesso nem amplia o público atendido. A Lei nº 14.601/2023 autoriza o governo a corrigir os valores em intervalos de, no máximo, 24 meses. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a medida custa R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.