Nos padrões do poder público

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Por Bruno Lyra

Na edição 1274 (23 a 30 de março) Tempo Novo noticiou que moradores, cansados de esperar pelo poder público, investiram tempo e dinheiro para construir abrigo num ponto de ônibus do bairro José de Anchieta II. Outros dois abrigos para usuários do Transcol já haviam sido feitos por moradores, já que o bairro não conta com nenhuma dessas estruturas feitas pelo poder público.

Na mesma edição, o jornal trouxe a notícia de que a comunidade de Nova Almeida está preparando um bingo para arrecadar dinheiro e fazer a cobertura da quadra da escola Julite Miranda. Os casos não são isolados e nem se restringem a Serra, se espalham pelo país. E revelam um modelo de estado cada vez mais questionável, afinal, ele retira dinheiro da população através da insaciável carga tributária e não retorna com os investimentos em muitos lugares.

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Resta aos cidadãos pagarem duas vezes se quiserem ter a estrutura que já desembolsaram compulsoriamente e não receberam. O caso do ponto de ônibus de José de Anchieta impressiona. Os moradores investiram menos de R$ 2 mil para erguer o equipamento. Para efeito de comparação, os últimos modelos de abrigos de pontos de ônibus feitos pela prefeitura saíram por R$ 25 mil cada. Doze vezes e meio mais caros!

Claro, o ponto feito pelos moradores é mais simples. Usou-se pneus velhos. O da Prefeitura tem vidros, um design arrojado, pagou-se trabalhadores para fazê-los. A reação da administração municipal à atitude dos moradores de Anchieta foi dizer que uma equipe da Prefeitura esteve no local e verificou que o abrigo feito pela comunidade está “fora dos padrões”.

O que é estar nos padrões, então? Deixar um bairro inteiro sem os abrigos, com a população que depende do Transcol – outro exemplo de mau serviço – à mercê do sol e chuva? Lamentável. Ainda que o abrigo de Anchieta esteja à margem das especificações técnicas, o mínimo que a prefeitura deveria fazer é parabenizar, quem sabe até indenizar os moradores e imediatamente fazer as adequações se realmente forem necessárias.

 

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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