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Nesses dias frios, um agasalho para aquecer o coração

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Nesses dias frios, fico pensando sobre como as dificuldades físicas ou mesmo mentais podem impactar a vida das pessoas. Diferente de ter um agasalho, uma calça ou meia para ajudar em aquecer, quando estamos sofrendo, o que podemos fazer para nos ajudar a aquecer a alma e com isso aliviar as dores e sofrimentos?

O frio nos ensina que se aquecer é necessário para viver bem, pois quando a temperatura cai, buscamos roupas grossas, cobertores, abrigo e sol. Sem aquecimento, o corpo fica mais lento, sensível e frágil, sendo que o mesmo acontece com a alma. Há dias em que a vida fica fria, escura e difícil, como um inverno longo são momentos de perda, tristeza, ansiedade ou dor, em que tudo parece pesado. Nessas horas também precisamos de algo que nos aqueça, proteja e nos faça sentir que não estamos sozinhos.

Uma coisa é certa, nem todos sentem o frio ou lidam com a dor da mesma forma. Pesquisa publicada na Lancet Planetary Health (2023) mostra que temperaturas baixas aumentam sintomas depressivos e cansaço, especialmente em pessoas já vulneráveis. No Brasil, estudo da Universidade Federal de Alagoas (2026) com mais de 100 mil registros confirma que no inverno, com menos luz e mais tempo dentro de casa, aumentam quadros de tristeza e ansiedade, mas esses efeitos dependem muito de onde e como vivemos. 

Quem tem casa aquecida, renda suficiente e contato com outras pessoas poder sofre menos. Já quem mora em condições precárias, vive sozinho ou não tem com quem conversar, vê o frio e o sofrimento se tornarem muito mais fortes. O que nos protege não é só o que vestimos, mas também o quanto estamos conectados e amparados. O contexto social determina, em grande parte, se o frio será apenas clima ou se será também isolamento e sofrimento.

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Se para o corpo basta um agasalho, para a alma o que aquece é acolhimento, presença e escuta. Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa (1957), escreveu que o que mais ajuda quem sofre é sentir-se aceito exatamente como é, sem julgamentos ou cobranças. Quando alguém nos ouve com carinho, algo dentro de nós muda, pois percebemos que não estamos errados nem sozinhos. Essa aceitação é o nosso verdadeiro agasalho emocional, que nos protege da solidão e da incompreensão.

Refletindo sobre isso, aquecer a alma não é fazer a dor desaparecer, mas criar espaço onde ela possa existir sem nos destruir. É ter com quem conversar, onde ser ouvido, onde sentir valor. Assim como nos agasalhamos no frio, nos dias difíceis nos aquecemos com afeto, escuta e respeito. Esses são nossos recursos mais preciosos.

Se você está passando por um momento “frio” ou doloroso, saiba que existem lugares para encontrar calor humano. Você pode procurar a Unidade Básica de Saúde ou o Centro de Atenção Psicossocial mais próximo, onde profissionais acolhem e ouvem sem julgamentos. Psicólogos ajudam a compreender sentimentos e a encontrar seu próprio jeito de se aquecer. Se preferir conversar a qualquer hora, ligue para o CVV no número 188, o atendimento é gratuito.

Se você tem agasalhos, roupas ou cobertores sobrando, doe a quem precisa. Cada um tem seu jeito de se aquecer e se cuidar. O importante é saber que não precisa passar pelo frio sozinho. Assim como usamos agasalhos no inverno, podemos nos agasalhar de amor, presença e cuidado quando a vida parecer mais dura.

Por Nilson S. Aliprandi, psicólogo clínico – Abordagem Centrada na Pessoa (CRP 16/11049)

📧 Contato: nilsonaliprandi.psi@gmail.com 

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📷 Instagram: @psi.nilsonaliprandi

Para dúvidas, críticas, sugestões ou informações sobre atendimentos, fique à vontade para entrar em contato.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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