Nadar bem e morrer na praia

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A eleição estadual passou, mas a conclusão que pode ser tirada é que o governador Renato Casagrande (PSB) perdeu a reeleição na campanha. Méritos para ganhar ele tinha, afinal, o seu governo é um governo bom, bem avaliado pela população, sem escândalos, de resultados positivos e transparente.

O governo de Casagrande não foi tão à esquerda e nem tão à direita; não todo desenvolvimentista e nem foi todo social. Foi um governo que atendeu bem aos dois campos; não torrou todos os recursos vindos da cobrança de impostos com os ralos sociais, como também investiu em infraestrutura. Se não fez mais foi porque o tempo não deu, e a burocracia estatal é enorme e engessa o poder público.

Casagrande perdeu a eleição nos detalhes: demorou muito para fechar a sua chapa; depois houve a saída do delegado Contarato da disputa ao Senado e a entrada de Neucimar. Morreu Eduardo Campos (então candidato a presidente da República pelo PSB) e teve ainda o acidente seguido de morte daquela que seria uma das maiores esperanças de votos no Sul do Estado, que foi o deputado estadual Glauber Coelho, que disputava a reeleição.

O governador perdeu, no apagar das luzes das convenções, o PSDB para Hartung, graças a um acordo desfeito em Minas entre os tucanos e os socialistas. Acordo desfeito lá, acordo desfeito aqui. Além disso, Casagrande abriu mão do PT, que olhando hoje, seria melhor ter abraçado o Coser e sua turma.

Não está claro também porque Casagrande não recorreu ao senador Magno Malta (PR) para lhe auxiliar na campanha, como fez Hartung com Ricardo Ferraço (PMDB), que também é senador e com Gerson Camata (PMDB), que é ex-senador. Os dois ajudaram muito a segurar o interior para Hartung, de onde veio a vitória do peemedebista, uma vez que na Grande Vitória, Casagrande obteve uma ligeira vantagem.

A imprensa regional na política

Se Casagrande conseguiu fazer chegar bem a sua campanha e a sua comunicação nos quatro cantos da Grande Vitória, no interior não pode fazer a mesma afirmação. A informação e as notícias nos municípios do interior não chegam na mesma velocidade que aqui e às vezes nem chegam.

Tem cidade no interior onde chegam de dois a três jornais A Gazeta e de 20 a 30 A Tribuna. Em contrapartida, há jornais locais ou de cidades vizinhas que são diários ou até mesmo semanais que têm uma tiragem bem maior e causam muito impacto no eleitorado local que os jornais da capital.

O interior é permeado por rádios AM e FM que fazem as coberturas jornalísticas nas cidades do seu entorno e têm uma audiência muito maior do que rádios da capital que em muitos casos nem pegam sinais.

É mais comum no interior do que se imagina as pessoas não assistirem os telejornais das tv’s Gazeta, Vitória, Tribuna e Capixaba. Ligados em antenas parabólicas eles acabam não tendo acesso à programação do Estado e são audiência para conteúdos de outros estados, como São Paulo        e com isso a campanha não chegou como deveria ter chegado e a imprensa do interior, por questões de relacionamentos, na sua maioria, abraçou Hartung, que tem muito mais recall do que Casagrande.

Evidentemente houve outros fatores que contribuíram para a vitória de Hartung e a derrota de Casagrande. Mas uma afirmação pode ser feita: o governador não perdeu por ter sido negligente, por ter tido má conduta à frente do Governo e porque foi um péssimo gestor não. Perdeu porque não teve força para ganhar.

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