Serra lidera exportações de rochas no Brasil mesmo em ano das tarifas de Trump

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A extensa lista de produtos isentos do chamado “tarifaço do Trump” trouxe alívio e favoreceu diretamente a economia exportadora da Serra. Crédito: Agência Brasil

As exportações brasileiras de rochas naturais registraram crescimento em 2025, mesmo em um cenário internacional marcado por incertezas e pela imposição de barreiras tarifárias no principal mercado consumidor do setor, os Estados Unidos.

De acordo com relatório do Centro Rochas, o faturamento nacional passou de US$ 1,26 bilhão em 2024 para US$ 1,48 bilhão em 2025, alta de 17,47% no acumulado de janeiro a dezembro.

Nesse contexto, o Espírito Santo manteve ampla liderança nacional, concentrando a maior parte da produção e das exportações do setor. O estado movimentou US$ 1,16 bilhão em 2025, contra US$ 1,03 bilhão em 2024, crescimento de 12,16%.

A participação capixaba no faturamento nacional chegou a 78,40%, enquanto no volume exportado o estado respondeu por 69,38% de todo o peso embarcado pelo Brasil, mantendo sua posição como principal polo exportador de rochas naturais do país.

Serra se consolida como maior polo exportador do Espírito Santo

Dentro desse contexto, a Serra conseguiu se manter como o principal município exportador de rochas naturais em 2025, liderando tanto em faturamento quanto em volume. 

Segundo o relatório do Centro Rochas, a Serra liderou as exportações capixabas de chapas, com US$ 321.785.442 no acumulado de janeiro a dezembro de 2025, acima dos US$ 265.580.549 registrados em 2024. Além disso, ao somar chapas e blocos, o município alcançou US$ 381.710.445 em 2025, consolidando a Serra como o principal polo exportador de rochas naturais do Espírito Santo e um dos mais relevantes do Brasil.

Esse desempenho coloca mais uma vez a Serra à frente de municípios historicamente fortes no setor, como Cachoeiro de Itapemirim e Barra de São Francisco, consolidando o município como o principal polo capixaba de exportações de rochas naturais.

Um quarto de tudo o que o Brasil exporta em rochas sai da Serra

Somando as exportações de blocos e chapas, a Serra movimentou US$ 381,7 milhões em 2025, valor que representa aproximadamente 25,7% de tudo o que o Brasil exportou em rochas naturais no período, estimado em US$ 1,48 bilhão. Na prática, isso significa que um quarto de todas as exportações brasileiras do setor teve origem em um único município, evidenciando o peso econômico e estratégico da Serra na indústria nacional de rochas naturais.

O dado ganha ainda mais relevância por estar fortemente concentrado em produtos beneficiados, especialmente chapas, que possuem maior valor agregado e maior impacto na geração de emprego, renda e arrecadação.

Principais municípios do ES nas exportações (acumulado do ano)

Valores em US$. A coluna “%” indica a participação nas exportações do Brasil. Fonte: Centro Rochas.

Município Valor (US$) % do Brasil*
Serra – ES (líder) 381.710.445 25,7
Cachoeiro de Itapemirim – ES 355.628.970 24,0
Barra de São Francisco – ES 155.818.114 10,5
Castelo – ES 62.286.987 4,2
Atílio Vivacqua – ES 46.489.000 3,1

*Participação nas exportações do Brasil.

Estados Unidos concentram mais de 60% das exportações da Serra

Segundo dados do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) as exportações de rochas da Serra têm como principal destino os Estados Unidos, que concentram cerca de 66% de todo o valor embarcado, somando aproximadamente US$ 252,6 milhões em 2025. Na sequência aparecem a Itália, com cerca de US$ 36,8 milhões (9,6% do total), e a China, com aproximadamente US$ 24,5 milhões (6,4%).

Juntos, esses três mercados absorvem mais de 80% das exportações de rochas do município, enquanto países como México, Canadá, Austrália e Espanha aparecem como destinos secundários, mas estratégicos para a diversificação da pauta internacional.

Crescimento mesmo diante de barreiras tarifárias

O avanço das exportações em 2025 ocorreu em um ano marcado pela adoção de barreiras tarifárias justamente no maior destino das rochas da Serra, os Estados Unidos, o que reforça a resiliência e a competitividade do setor. O desempenho indica capacidade de adaptação das empresas locais, fortalecimento da indústria de beneficiamento e consolidação da Serra como um dos principais polos globais de rochas ornamentais de alto valor agregado.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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