A Justiça revogou as prisões de um casal de empresários investigado na Operação Onerado, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) no dia 26 de fevereiro. A ação apura um esquema milionário de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro que teria ligação com um condomínio de alto padrão no município da Serra.
O casal havia sido preso durante a operação realizada pela Delegacia Especializada de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), após o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros Feu Rosa e Carapebus, na Serra, além de Goiabeiras, em Vitória.
Grande parte do material investigativo foi recolhida no condomínio e bairro fechado Boulevard Lagoa.
Decisão judicial revoga prisões
De acordo com a defesa, representada pelo advogado Thiago Andrade, a investigada chegou a obter prisão domiciliar no sábado (28), após decisão concedida em habeas corpus durante o plantão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
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Posteriormente, a juíza responsável pelo caso decidiu revogar tanto a prisão preventiva do investigado quanto a prisão domiciliar anteriormente imposta à investigada.
Segundo o advogado, a decisão foi tomada diante da necessidade de aprofundamento das investigações e da realização de novas diligências. “Posteriormente, diante da necessidade de maior esclarecimento dos fatos e da realização de diligências destinadas à completa elucidação do suposto ocorrido, a juíza responsável pelo caso revogou a prisão preventiva do investigado e, igualmente, a prisão domiciliar anteriormente imposta à investigada”, afirmou Thiago Andrade.
A defesa sustenta que os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da instrução processual.
Medidas cautelares foram impostas
Conforme apurado pelo Jornal Tempo Novo, apesar da revogação das prisões, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares contra os investigados.
Entre elas estão:
• uso de tornozeleira eletrônica;
• proibição de acesso à internet e meios telemáticos, incluindo celulares, tablets e computadores;
• proibição de manter ou operar máquinas de cartão ou sistemas de transações financeiras;
• proibição de contato com outros investigados e possíveis vítimas;
• proibição de sair da comarca sem autorização judicial;
• suspensão do exercício de atividades econômicas relacionadas às empresas investigadas.
A decisão também estabelece que os investigados devem permanecer em casa entre 19h30 e 6h, além de não poderem se ausentar da residência nos fins de semana e feriados, salvo autorização judicial.
Operação investigou esquema milionário
A Operação Onerado investiga um esquema estruturado de fraudes envolvendo cartões de benefícios e possíveis práticas de lavagem de dinheiro.
Durante a ação policial, os investigadores apreenderam:
• 1.892 cartões de benefícios em nome de terceiros;
• quatro máquinas de cartão registradas em CNPJs de “laranjas”;
• quatro celulares;
• documentação contábil, incluindo cheques e notas promissórias;
• um veículo de luxo.
Segundo a Polícia Civil, os elementos indicam a existência de um sistema organizado de fraudes financeiras operado por um grupo criminoso.
Investigação continua
Apesar da revogação das prisões, o inquérito segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o volume financeiro movimentado pelo esquema.
A Polícia Civil também trabalha para mapear possíveis ramificações da organização criminosa no Espírito Santo.