Jogos de azar: as fichas da proibição estão caindo

Compartilhe:
Jogo de Poker. Foto: pixabay.com/pt/poker-royal-flush-jogo-de-cartas
Jogo de Poker. Foto: pixabay.com/pt/poker-royal-flush-jogo-de-cartas

Independente da opinião do leitor sobre se os jogos de azar deverão ser permitidos pela lei ou não, tem algo que é necessário reconhecer. Os que vêm promovendo a liberação da jogatina estão acertando no “jackpot”. A combinação premiada do caça-níquel está saindo. O prémio máximo pode estar cada vez mais perto.

Um dos sinais é uma enquete, realizada pelo Paraná Pesquisas no início de 2018, que aponta que não existe mais consenso na sociedade brasileira sobre esse tema. Tem cerca de 10% de pessoas sem opinião, e os restantes se dividem quase perfeitamente (45% para o sim e para o não). Os defensores da proibição parecem estar perdendo a cabeça das pessoas, ou pelo menos seu coração.

Certamente que o fato de qualquer cidadão poder acessar o NetBet ou outro site de jogos de cassino através da internet (computador ou até mesmo celular) veio ajudar alguns a mudar de opinião. Afinal, para quê proibir os cassinos “físicos” (agora diremos assim, para distinguir dos “virtuais”) se todo o mundo pode acessar online? Mas isso é só mesmo uma realidade mudando – não teria de significar que a opinião dos cidadãos pudesse mudar por causa disso. Vício seria sempre vício, online ou “offline”.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

Mas os sinais mais importantes vêm da política. Não é que os políticos possam substituir a opinião dos cidadãos, mas em democracia um político acaba representando aquilo que seus eleitores deverão querer, tanto na teoria como na prática.

E o fato é que dois importantes personagens da direita política parecem estar cedendo ao “lobby” dos cassinos, quando se esperaria que eles fossem os primeiros a assumir que a proibição é para continuar.

Jair Bolsonaro

“Bolsomito” ou “EleNão”, Jair é um candidato de palavras fortes, opiniões claras e pouco disponível para compromissos. É com isso que ele vem motivando seus potenciais eleitores. Assim, muitos terão ficado meio sem jeito quando o candidato falou que, sobre os cassinos, “é contra, mas vamos ver qual a melhor saída”. Ele acrescentou que quer assegurar que “o cidadão que vai buscar pão não torra seu dinheiro no caça-níquel”.

Mas isso é claramente abrir uma porta. Até Bolsonaro está confortável com a existência de cassinos em território nacional? O candidato dos valores vai permitir que o vício funcione, protegido pela lei e pagando imposto?

Marcelo Crivella

O prefeito do Rio de Janeiro deveria ser, também ele, um candidato em defesa dos valores tradicionais e da família. Retirar verba da parada gay do Rio de Janeiro foi uma medida muito aplaudida pelos setores conservadores.

Mas como se explica que Crivella venha recebendo Sheldon Adelson em visita, e já por mais que uma vez? Para quem não conhece, Adelson está na lista dos 30 homens mais ricos do mundo, elaborada pela revista Forbes. Ele é o maior empresário de cassinos de Las Vegas. Se os cassinos são um pecado, Adelson é o grande Satanás mundial desse inferno.

Questionado pela mídia, Crivella evitou falar em cassinos e disse que estava debatendo projetos de investimento imobiliário.

Se nem Crivella nem Bolsonaro assumem a 100% a luta contra a jogatina, que destino poderá estar tomando esse tema?

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

Leia também