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Game de manifestação Lula x Bolsonaro vira febre; veja como jogar grátis no celular

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Tela do jogo Paulista Livre com avatares de amarelo e vermelho, carro de som e cartazes de Lula e Flávio na Paulista virtual
Apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro dividem a Paulista virtual no game de manifestação que virou febre
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A três dias do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a Avenida Paulista ganhou uma versão online. O jogo Paulista Livre recria a principal avenida de protestos do país no navegador do celular e do PC e permite que qualquer pessoa entre numa manifestação ao vivo, ao lado de outros jogadores conectados, sem sair de casa.

Criado pelo desenvolvedor brasileiro Rafael Dias, o game viralizou no X na quarta-feira (14) e, desde então, virou assunto entre eleitores dos dois lados. Na tela, um placar mostra quantos manifestantes cada grupo reúne na avenida virtual: PT, PL e Missão, partido de Renan Santos.

Como funciona o jogo Paulista Livre

Antes de entrar, o jogador escolhe um lado e monta o personagem. Há opções gratuitas, como o brasileiro comum, e versões satíricas de políticos, entre elas Lula Prime, Flávio Hipotético, Bolsonaro segurando um peixe, Kim Kataguiri e um Super Xandão, apelido do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Já na avenida, dá para conversar no chat, levar bandeira e cartaz, dançar e circular de moto, carro, carro de som, carreta e até dirigível. Quem sobe no carro de som faz campanha para o próprio candidato. Além disso, o jogo tem spray de pichação e um modo de confronto em que é possível atropelar outros manifestantes, segundo o site Indie Brasilis.

Para quem prefere só observar, existe a opção “Só quero assistir”, que permite acompanhar a confusão sem personagem.

Quanto custa a manifestação virtual

Na versão atual da página oficial, o Paulista Livre aparece como gratuito e sem login obrigatório. O jogo também oferece um pacote Premium opcional de R$ 10, pago uma única vez por Pix, com moto, carro comum, caixa de som, spray ilimitado e cinco cartazes personalizados.

O modelo, porém, mudou ao longo da semana. Logo depois da viralização, a plataforma chegou a cobrar R$ 10 de quem criava conta nova, segundo o portal ANTI/HYPE. Os itens avulsos também pesam no bolso: de acordo com o OpiniãoCE, bandeiras saem entre R$ 2 e R$ 4, carros custam R$ 10 e sprays, R$ 5. Já os avatares de políticos começam em R$ 29,90.

A idade mínima para jogar é 13 anos, e menores de 18 precisam de autorização dos pais, inclusive para fazer compras.

Feito com IA, jogo já se pagou

Por trás da avenida virtual existe uma conta simples. Segundo o OpiniãoCE, Dias investiu R$ 20 mil no projeto e usou quatro plataformas de inteligência artificial: Claude, Codex, DeepSeek e TripoAI, esta última voltada para modelos em 3D. Em entrevista ao portal CATAI, o desenvolvedor contou que o jogo se pagou a partir do sábado (17), com anúncios exibidos nos telões.

Hoje, a própria plataforma vende esse espaço. O anunciante escolhe quanto quer investir e paga apenas quando um jogador olha de frente para o telão.

Sátira em plena reta final da eleição

O Paulista Livre se apresenta como uma experiência independente e satírica. Nos termos de uso, o jogo afirma que “não representa posição de nenhum partido, candidato ou órgão público”.

Mesmo assim, o momento chama atenção. A equipe é a mesma do Brasil TD, outro jogo de navegador sobre política, que usa facções fictícias e declara não fazer propaganda eleitoral. No Paulista Livre, ao contrário, os candidatos aparecem com nome e rosto.

Enquanto isso, a Paulista de verdade virou termômetro de mobilização. O ato de Lula no domingo (11) ocupou sete quarteirões da avenida, segundo o Poder360, e Flávio convocou apoiadores para o mesmo local no domingo seguinte (18). Agora, a disputa ganhou também uma versão na tela do celular, aberta a quem acessar o endereço manifestacao.com.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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