Nesta quinta-feira (19), a Insurreição do Queimado completa 177 anos. O levante de pessoas escravizadas ocorrido na Igreja de São José do Queimado, na Serra, é considerado um dos episódios mais relevantes da história do Espírito Santo e um dos mais marcantes da luta contra a escravidão no Brasil.
Revolta por liberdade marcou a história
As ruínas da igreja guardam a memória de uma revolta protagonizada por cerca de 300 homens e mulheres escravizados, que participaram da construção do templo sob a promessa de alforria — que nunca foi cumprida.
Durante a missa inaugural, realizada em 19 de março de 1849, os trabalhadores exigiram a liberdade prometida. O movimento foi liderado por nomes como Elisiário, Chico Prego e João da Viúva.
Repressão violenta e formação de quilombos
A reação das autoridades foi imediata e violenta. Parte dos envolvidos foi presa e condenada à morte, enquanto outros conseguiram fugir e formaram quilombos em regiões como Roda d’Água e Retiro, áreas que hoje pertencem aos municípios de Cariacica e Santa Leopoldina.
Leia também
Elisiário conseguiu escapar e se refugiou nas matas do Mestre Álvaro, sem ser recapturado. Já Chico Prego foi preso e enforcado em 11 de janeiro de 1850.
Devido à dimensão do levante, foi necessário o envio de reforços militares do Rio de Janeiro para conter a insurreição.
Patrimônio histórico reconhecido
De acordo com apuração, em novembro de 2025, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o tombamento definitivo das ruínas da Igreja de São José do Queimado como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Com isso, o sítio histórico será inscrito nos Livros do Tombo Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, reforçando a importância da preservação da memória do local.