O Espírito Santo registrou o maior crescimento percentual da produção industrial do país, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal, Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em novembro de 2025, a indústria capixaba cresceu 36,8% na comparação com o mesmo mês de 2024, consolidando sete meses consecutivos de avanço interanual com dois dígitos.
O resultado não se refere ao volume absoluto de produção industrial, mas sim à variação da atividade industrial do Espírito Santo em relação ao seu próprio desempenho no ano anterior. Ainda assim, o índice posiciona o Estado como o que apresentou o ritmo de crescimento mais acelerado da indústria no Brasil no período analisado.
Liderança em crescimento se mantém no acumulado do ano
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o Espírito Santo também lidera o ranking nacional de crescimento industrial, com expansão de 10,8% frente ao mesmo período de 2024. O desempenho supera a média nacional, que ficou em 0,6%, e coloca o Estado na primeira posição pelo quarto mês consecutivo nesse recorte.
O desempenho capixaba superou o de estados como Rio de Janeiro (4,6%), Santa Catarina (3,4%), Goiás (2,7%) e Rio Grande do Sul (2,2%), que completam o ranking nacional de maior crescimento no período.
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Os dados foram compilados pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo, que destaca que o avanço ocorre mesmo em um cenário macroeconômico mais restritivo, marcado por juros elevados e incertezas no ambiente internacional.
Serra concentra o maior polo industrial do Espírito Santo
O desempenho da indústria capixaba está diretamente ligado à estrutura produtiva do Estado, que tem na Serra o maior polo industrial do Espírito Santo. O município concentra parques industriais, complexos logísticos e cadeias produtivas estratégicas que sustentam parte expressiva da atividade econômica estadual, tanto na indústria extrativa quanto na indústria de transformação.
A Serra ocupa posição central na dinâmica industrial capixaba, funcionando como elo entre produção, logística e escoamento, o que reforça seu papel na consolidação dos resultados positivos do Estado.
Indústria extrativa impulsiona crescimento percentual
O principal fator por trás do forte crescimento industrial do Espírito Santo é a indústria extrativa, que avançou 59,8% em novembro de 2025, na comparação com novembro de 2024. No acumulado de janeiro a novembro, o segmento cresceu 17,4%, desempenho muito superior à média nacional, que apresentou retração de 1,2% no mês e crescimento de 0,6% no acumulado.
Segundo a FINDES, o resultado está associado à expansão da produção de petróleo e gás natural no ambiente offshore, à entrada em operação do navio-plataforma Maria Quitéria, à retomada do Campo de Baleia Anã e à recuperação da produção de minério de ferro pelotizado.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que, em novembro, a produção de petróleo no Espírito Santo alcançou 225,3 mil barris por dia, crescimento de 132,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A produção de gás natural chegou a 6,2 milhões de metros cúbicos por dia, com avanço de 313,3% na mesma comparação.
Indústria de transformação também registra avanço
A indústria de transformação capixaba apresentou crescimento de 1,2% em novembro, frente ao mesmo período de 2024. O desempenho foi influenciado principalmente pelos segmentos metalúrgico (7%), de produtos alimentícios (2,8%) e de minerais não metálicos (1,1%). O setor de papel e celulose, por outro lado, registrou queda de 14,1%.
Crescimento deve continuar, mas em ritmo mais moderado
A expectativa para 2026 é de continuidade do crescimento industrial, porém em ritmo mais moderado, acompanhando o cenário econômico nacional. A indústria extrativa deve seguir como principal âncora da atividade industrial do Estado, com a ampliação da produção do navio-plataforma Maria Quitéria, o início da extração no campo de Wahoo e a continuidade da retomada da Samarco.
Para a FINDES, o desafio é ampliar os efeitos positivos do crescimento da indústria extrativa sobre os demais segmentos, especialmente a indústria de transformação, garantindo um crescimento mais equilibrado e sustentável nos próximos anos.

