Um pedreiro foi morto a tiros após ser confundido com um suspeito de estupro, no último domingo (15), no bairro São Judas Tadeu, na Serra. A vítima, Alessandro Coelho Schimitberger, foi atingida por 19 disparos. De acordo com a Polícia Civil, ele não tinha qualquer envolvimento com o crime que motivou a execução, que foi baseada em um boato.
Conforme com a investigação da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, os executores Eric Gordiano dos Santos, de 26 anos, e Cauã Vital dos Santos, de 18, agiram após receberem a informação de uma mulher, já identificada, de que o autor de um estupro ocorrido em 2021 estaria em um bar na região de São Judas Tadeu. A descrição repassada era genérica: um homem negro, usando camisa vermelha e calça preta. Alessandro, que estava no local com amigos, acabou sendo confundido.
Antes da execução, os suspeitos ainda entraram em contato com a mulher, responsável por repassar a informação, para confirmar a identidade da vítima. Mesmo sem qualquer prova, ela teria confirmado a identidade e autorizado o ataque.
Prisão no dia seguinte
Na manhã de segunda-feira (16), um dia após o crime, a Polícia Civil prendeu os dois suspeitos, na região de Melgaço, zona rural de Domingos Martins, depois de tentarem fugir. Durante a abordagem, ambos confessaram o homicídio e afirmaram que agiram acreditando, de forma equivocada, que a vítima se tratava de um estuprador.
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As investigações indicam que a mulher responsável por apontar Alessandro como suspeito é considerada a mandante do crime e segue foragida. Segundo a polícia, foi ela quem repassou as informações que motivaram a ação dos executores. Paralelamente, os investigadores também apuram quem forneceu a arma utilizada na execução.
De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, Alessandro foi morto unicamente por apresentar características físicas semelhantes às do verdadeiro suspeito, que ainda não foi formalmente identificado. “Ele morreu simplesmente por guardar semelhanças físicas com um suspeito. Era um homem trabalhador, querido, que não tinha qualquer envolvimento com esse crime”, afirmou o adjunto da DHPP da Serra, delegado Pedro Henrique, o Tempo Novo.
Diante do caso, a Polícia Civil reforça o alerta sobre os riscos da disseminação de boatos e da chamada “justiça com as próprias mãos”. A corporação orienta que qualquer informação ou suspeita de crime deve ser comunicada exclusivamente às autoridades, a fim de evitar tragédias provocadas por desinformação.
“A polícia trabalha diariamente para investigar e prender criminosos. Justiça não se faz com as próprias mãos. Poderia ser qualquer pessoa ali, um pai de família, um trabalhador, como de fato foi. Isso mostra o nível de irresponsabilidade e desprezo pela vida”, concluiu o delegado.