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sábado, 22 de fevereiro de 2020

Falta de minério derruba indústria capixaba em 18%, diz Instituto

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A queda na produção e exportação de minério da Vale em Tubarão é uma das responsáveis pelo recuo da indústria capixaba. Foto: Arquivo TN/Bruno Lyra

A produção industrial capixaba seguiu despencando no mês de abril. De acordo com publicação mensal do Instituto Jones Santos Neves (IJSN), em abril deste ano a indústria capixaba retraiu 18% em relação ao mesmo mês do ano passado. Esse foi o segundo pior resultado do país, considerando os estados pesquisados, e ainda é consequência dos efeitos pós-desastre de Brumadinho.

O Instituto reconheceu que a falta de minério de ferro no mercado foi um dos principais motivos para a retração da indústria geral capixaba. 

Na avaliação do IJSN, a indústria extrativa (segmento de minérios de ferro pelotizados ou sinterizados e óleos brutos de petróleo) apresentou uma forte contribuição negativa (-14,4%), impulsionada pela tragédia de Brumadinho, que trouxe “queda no volume de matéria-prima para o setor de mineração no Espírito Santo”. Acrescentou que a diminuição na produção de petróleo e gás no estado também colaborou com o resultado negativo.

Em comparação a março, a queda na indústria geral foi de -5,5% na série livre de ajustes sazonais. Se considerado o primeiro quadrimestre do ano, a retração da produção foi de -10,3% e nos últimos 12 meses, queda de -3,2%.

Apesar da retração na indústria, o secretário de Desenvolvimento Econômico da Serra, José Eduardo Azevedo, acredita que os efeitos na cidade foram atenuados pela diversificação nos investimentos.

“A retração na indústria é consequência das dificuldades da Vale e ainda sofremos com o não retorno da Samarco. A Serra sente não só com a dificuldade das grandes empresas, como também pela cadeia que as atende. Mas se essa situação fosse há 20 anos, seria mais grave, pois atraímos investimentos diversos. Temos um volume significativo de empresas na área de logística, por exemplo, e buscamos atrair outros segmentos”, explica.

Entre fevereiro e março, duas siderúrgicas situadas em solo capixaba que dependem do fornecimento da Vale – CBF, em João Neiva, e Santa Bárbara, em Cariacica – chegaram a ter as atividades paralisadas por falta de minério.

Nos três primeiros meses deste ano, a Vale reduziu em 14,6% a produção de pellets (minério de ferro em pelotas) em relação ao trimestre anterior, conforme relatório da própria empresa. A maior mina da empresa, Brucutu, voltou a ser paralisada no último dia 6 de junho.

As exportações de minério fino via Vitória recuaram 8,3% no 1º quadrimestre de 2019, se comparadas ao mesmo período de 2018, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Em todo o país, a produção de minério da Vale já recuou 28%.

Medo é de que haja demissões, aponta sindicato 

Segundo relatório da Vale do ano passado, 10.300 pessoas trabalham na área da empresa em Tubarão, entre funcionários próprios e terceirizados. Ao todo, são gerados 58 mil empregos associados aos negócios da mineradora no Espírito Santo. A empresa acrescenta que faz negócios com 523 fornecedores locais. Só para funcionários próprios, a mineradora paga R$ 806 milhões por ano, entre salários e benefícios.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal), Max Célio de Carvalho, expressou preocupação quanto a eventuais demissões em virtude da redução da produção de minério.

Segundo ele, a Vale é uma gigante no estado e responsável por muitos empregos diretos, indiretos (nas terceirizadas), além de fomentar uma cadeia diversa de atividades, como comércio, alimentação, entre outras.

 

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