Expandindo o cemitério de córregos

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Em plena crise da água, o córrego Laranjeiras está sendo transformado em galeria. O curso d’água, que nasce no Parque da Cidade, está sendo canalizado e pavimentado no trecho da área verde ocupado desordenadamente em Laranjeiras.

Para os moradores vizinhos trata-se de um alívio, pois o córrego há muito tempo virou valão. Seja pela eficiência duvidosa da Estação de Tratamento de Esgoto de Valparaíso da Cesan, agora sob a batuta do Consórcio Privado Serra Ambiental e que já avisou que vai desativar essa estação. Seja pelo esgoto clandestino jogado no local por casas e imóveis comerciais de Valparaíso e Laranjeiras.

             A canalização é ótima aos olhos dos mais incautos. Dá voto. Esconde o valão, coloca-se asfalto ou qualquer outra coisa por cima. Mas é como jogar a sujeira para baixo do tapete. Não se recupera o riacho e, o pior, gasta-se dinheiro público para estimular novas ocupações desordenadas em terrenos inundáveis, que por lei são Áreas de Preservação Permanente (APP).

            Vale lembrar que existe forte pressão para a ocupação do vale do córrego Laranjeiras, cujas águas caem na praia de Manguinhos. Há até tentativas de loteamento próximo ao Tobogã, entre Laranjeiras e Chácara Parreiral. Local que na superchuva de 30 de outubro de 2014 foi inundado e teve um imóvel destruído pela força das águas. Fora as casas inundadas em Guaraciaba, outra área de ocupação irregular nas proximidades.

            A mesma coisa fez a prefeitura da Serra na avenida Argentina em 2009, no bairro Vista da Serra. Lá passa o córrego Doutor Róbson, também imundo, que nasce no Mestre Álvaro e é um dos principais formadores da lagoa Juara.  É o ciclo invasão – aterro de margens – transformação em galeria – asfaltamento, que cada vez mais vai fazendo a Serra parecer Cariacica e Vila Velha, cidades onde recuperar cursos d’água em áreas urbanizadas ficou caríssimo e muito difícil.

          A Prefeitura acerta quando é dura ao combater ocupações irregulares em áreas de preservação, como fez ao demolir um imóvel no último dia 21 de maio às margens do próprio córrego Laranjeiras e em junho quando derrubou construções em Solar de Anchieta, na área da turfa. Mesmo que o preço eleitoral fique salgado.

Coragem para fazer o bem

 Em 2010 o então presidente da República, Lula (PT), vinha tão bem que era voz corrente dizer que ele elegeria até um poste. E de fato elegeu o ‘poste’ Dilma Roussef, também PT.

O povo brasileiro só veio tomar consciência o quão ruim é esse ‘poste’ após a eleição de outubro do ano passado, quando Dilma se reelegeu presidente. Para se reeleger, o ‘poste’ e a coordenação de sua campanha mentiram para o povo brasileiro e omitiram a real situação do país.

Tão logo foram proclamados os resultados das urnas, tudo aquilo que estava represado para garantir o resultado explodiu: os preços controlados pelo governo (gasolina, energia, remédios, telecomunicações, entre outros) subiram imediatamente; a inflação disparou; as taxas de juros também, o dólar explodiu, o Produto Interno Bruto (PIB) ficou negativo, o déficit orçamentário foi lá pras alturas e tudo o que é de ruim só foi piorando.

Quando um governo entra em colapso, ele leva junto a nação, representada por milhões de pessoas que perdem seus empregos; milhares de empresas que quebram. Arrasta para o fosso as contas públicas, compromete a previdência, leva o país a perder importância internacional.

Quando chega a esse ponto só há uma saída: o presidente da República ter a coragem de renunciar ao cargo para o bem do país. Assim, o vice-presidente Michel Temer assumiria o cargo dentro de um pacto de salvação do Brasil, governaria até o final do mandato.

Se Dilma fizer isso, será um gesto de grandeza e estará poupando o país de uma convulsão social, em vias da ser travada entre o ‘exército do PT’ e outros milhares de brasileiros que não aguentam mais viver como estão vivendo. Na linguagem do ex-presidente Lula é o ‘nós contra eles’.

 

 

 

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