Equoterapia será usada na reabilitação de jovens com deficiências na Serra

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Equoterapia Serra
O projeto irá acontecer dentro do Centro de Equoterapia que fica em Campinho da Serra. Foto: Arquivo TN/Bruno Lyra
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Cinquenta crianças e adolescentes da Serra terão acesso ao programa de equoterapia. Crédito: Divulgação

A equoterapia – terapia que utiliza cavalos como instrumento de reabilitação física, psicológica e social passará a fazer parte da rotina de 50 crianças e adolescentes da Serra. Indicada para pessoas com diversas condições de saúde, como paralisia cerebral, síndrome de Down, autismo, lesões neurológicas, deficiências físicas e mentais e transtornos de comportamento, a terapia será realizada em parceria entre a Rede Aica e o Centro de Equoterapia Mestre Álvaro (Cema).

O lançamento oficial aconteceu no último dia 5 de abril e o programa irá atender crianças e adolescentes acolhidos por casas lares da Serra. No total, 50 jovens com idade de 6 a 12 anos serão atendidos pela equoterapia.

Durante a equoterapia, o paciente realiza exercícios em cima do cavalo, como caminhar, trotar e galopar, e recebe estímulos físicos e mentais que ajudam a melhorar a postura, o equilíbrio, a coordenação motora, a autoestima, a comunicação e a interação social. A interação com o animal também ajuda a diminuir o estresse e a ansiedade, além de estimular o sistema sensorial e cognitivo.

O projeto é uma possibilidade alternativa de inclusão social e superação para crianças e adolescentes com deficiências que se encontram em acolhimento institucional.

De acordo com a diretora da Cema, Fernanda Moscon, que é psicóloga e médica veterinária os animais são ótimos apoiadores e facilitadores da terapia para o profissional que sabe o que fazer e como fazer.

“Eles possuem uma aceitação incondicional ao mesmo tempo que impõe seus limites, funciona de acordo com a etologia de cada espécie. Conhecendo bem as características individuais deles, podemos fazer uma mediação adequada para proporcionar para as crianças diversos ganhos, tanto físicos, quando psicológicos, educacionais e sociais. Estamos preparados para atender e felizes por essa parceria. Temos pela frente um trabalho incrível, que além de tudo, será desempenhado com muito amor.”

Os atendimentos são realizados por uma equipe multidisciplinar formada por fonoaudióloga, fisioterapeuta, psicoterapeuta e um pedagogo, visando a reabilitação física e mental, são realizados uma ou duas vezes por semana com duração aproximada de 30 minutos. Já o tempo do tratamento vai depender da avaliação periódica que será feita pela equipe da equoterapia da Cema.

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A psicopedagoga Graciula Pinto de Jesus frisa que as crianças demonstram interesse no contato com o cavalo desde o primeiro dia. “As crianças mostraram interesse no contato com os cavalos, exploraram o ambiente e os brinquedos estimuladas a demonstrar responsabilidade e cuidado com os animais do local. Alguns pediram para ficar mais, dizendo que queriam estudar na ‘escola dos cavalos’”, disse a psicopedagoga.

Ao final da atividade do lançamento do programa, ou seja, na hora de ir embora houve  resistência por parte de um dos praticantes sendo mediado pelo educador social e a terapeuta tornando o momento da finalização mais tranquilo. “Principalmente pela promessa e combinado de que era “necessário ir para poder voltar” na próxima semana”, disse a fonoaudióloga Brenda Dias.

A proposta da Rede Aica é que a equoterapia se torne uma política pública permanente na cidade de Serra. A equoterapia é regulamentada no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e é reconhecida como uma terapia complementar pelo Ministério da Saúde. É importante buscar um profissional qualificado e experiente em equoterapia para garantir a segurança e eficácia do tratamento.

A execução do programa na Serra é da Organização social civil em parceria com a Prefeitura de Serra através do Fundo da Infância -Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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