A Polícia Civil do Estado do Espírito Santo, por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, prendeu em flagrante, na segunda-feira (29), o jovem Thiago Gonçalves Stoffel, de 26 anos, apontado como autor do homicídio do técnico de enfermagem Gabriel Costa de Castro, de 35 anos. O crime ocorreu na madrugada de domingo (28), dentro do apartamento da vítima, em um condomínio no bairro Ourimar, na Serra.
A prisão foi apresentada oficialmente em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (8), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória. Segundo os delegados responsáveis pelo caso, a investigação foi concluída em menos de 24 horas, com diligências ininterruptas desde a descoberta do crime.
“O que a gente está aqui apresentando é mais um resultado de uma investigação rápida. Em menos de 24 horas, conseguimos realizar a prisão em flagrante do suspeito. Não foi fácil, mas conseguimos identificar câmeras, realizar diversas diligências e localizar o autor”, afirmou o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da DHPP da Serra.
Relacionamento entre vítima e autor
De acordo com o delegado Paulo Ricardo Gomes, adjunto da DHPP da Serra, autor e vítima mantinham um relacionamento amoroso homoafetivo há cerca de dois anos.
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“O crime envolve duas pessoas bem definidas: autor e vítima. O Gabriel era técnico de enfermagem, atuava como cuidador de idosos e era descrito por familiares e colegas como uma pessoa extremamente caridosa, empática e dedicada ao cuidado do outro”, explicou.
Já o suspeito, segundo a Polícia Civil, apresentava um histórico de violência desde a adolescência, com diversos registros policiais.
Dinâmica dos fatos antes do crime
A investigação apontou que os acontecimentos que culminaram no homicídio começaram ainda na sexta-feira (26). Thiago se envolveu em uma briga com o irmão, em Vila Velha, onde mora sua família, e foi agredido fisicamente. Após a discussão, ele procurou abrigo na casa de Gabriel, no bairro Ourimar.
“Por conta da vida conturbada e dos conflitos familiares, ele não tinha onde ficar e procurou o companheiro”, explicou o delegado.
Gabriel acolheu Thiago, informou a família do companheiro sobre sua presença e chegou a levá-lo a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para receber cuidados médicos em razão das agressões sofridas na briga com o irmão. O olho roxo visível em imagens do suspeito, segundo a polícia, é resultado desse conflito familiar anterior.
Na sexta e no sábado, Gabriel prestou assistência ao companheiro, o que reforça os relatos de que ele tinha perfil cuidador e empático.
Últimos momentos e registros por câmeras
No sábado (27), Gabriel saiu para trabalhar como cuidador de uma idosa, enquanto Thiago permaneceu no condomínio. As câmeras de videomonitoramento registraram momentos importantes da dinâmica do crime.
Por volta das 2h da madrugada de domingo (28), os dois aparecem entrando juntos no prédio, carregando bebidas alcoólicas. A polícia destacou o consumo de álcool, associado ao histórico de uso de cocaína e maconha pelo suspeito.
“Esse uso contínuo de entorpecentes aparece em todos os relatos: da mãe, da ex-companheira, de familiares e até de testemunhas próximas à vítima”, pontuou o delegado.
Às 4h da manhã, Thiago sai sozinho do condomínio e retorna cerca de 20 minutos depois. Entre esse retorno e a saída definitiva, ocorre o homicídio.
Vizinhos relataram ouvir barulhos de quebradeira e pedidos de socorro por volta das 8h da manhã. O síndico foi acionado e chamou a Polícia Militar. Antes da chegada da polícia, o suspeito deixou o apartamento.
Vestígios e fuga do local
Segundo a Polícia Civil, Thiago saiu do imóvel descalço, deixando pegadas de sangue no corredor do condomínio. As imagens mostram que, às 9h, ele deixou o prédio carregando uma mochila.
“Ele teve contato direto com o sangue da vítima e saiu descalço, o que reforça os elementos de convicção sobre a autoria”, explicou o delegado Paulo Ricardo.
Antes de sair, ainda dentro do apartamento, o suspeito utilizou o celular de Gabriel para ligar para um familiar, dizendo que havia “feito uma merda” e que precisava de ajuda. Após a ligação, deixou o aparelho no local e fugiu.
Internação após o crime e prisão
O familiar encontrou Thiago transtornado e, percebendo o uso de drogas, o orientou a procurar uma clínica em Vitória. A internação ocorreu ainda no domingo, cerca de duas horas após o crime, por iniciativa do familiar e não do próprio suspeito.
A Polícia Civil iniciou as diligências logo após tomar conhecimento do homicídio, reunindo imagens, depoimentos e vestígios. Na segunda-feira (29), a equipe localizou a clínica onde Thiago estava internado.
“O médico avaliou ele como lúcido e orientado, internado por dependência química e possível transtorno de personalidade. Após a alta médica, realizamos a prisão em flagrante”, informou o delegado.
A captura ocorreu no bairro Joana D’Arc, em Vitória, e o suspeito foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana.
Confissão e possível premeditação
Durante o interrogatório, Thiago afirmou que agiu em um “momento de fúria” e desferiu facadas nas costas, abdômen e tórax de Gabriel. Ele também declarou que a faca utilizada no crime não pertencia à vítima.
“Essa faca foi trazida por ele de Vila Velha, desde a sexta-feira, e estava dentro da mochila. Isso nos trouxe um indicativo de possível premeditação”, destacou o delegado Paulo Ricardo.
O suspeito alegou que carregava a faca para se proteger do irmão após a briga familiar, versão que será analisada pela investigação. A arma foi apreendida no local e encaminhada para perícia.
Sobre a motivação, Thiago alegou que acreditava que Gabriel estaria “incorporado por uma entidade”, versão contestada pelo histórico do relacionamento, que apontava ciúmes excessivos, possessividade e agressividade por parte do autor.
Testemunhas relataram que Gabriel já havia tentado encerrar o relacionamento em outras ocasiões e que familiares do próprio suspeito chegaram a orientá-lo a se afastar.
Vítima tinha nova oportunidade de trabalho
Gabriel Costa de Castro morava sozinho no condomínio, tinha 35 anos e atuava há anos como técnico de enfermagem e cuidador de idosos. Segundo a polícia, ele havia recebido recentemente uma nova oportunidade de emprego, com início previsto para a segunda-feira seguinte ao crime.
A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para conclusão do inquérito e encaminhamento à Justiça.
Histórico de violência do suspeito
O primeiro boletim de ocorrência contra Thiago data de 2017, quando ele tinha 18 anos. Na ocasião, ele agrediu a própria mãe após furtar R$ 200 da residência e descobrir que ela havia escondido drogas encontradas em casa.
“Ele passou a agredi-la verbal e fisicamente, tentou enforcá-la com um cadarço e fugiu do local antes da chegada da polícia”, detalhou o delegado Paulo Ricardo.
Ainda em 2017, a mãe relatou que o filho conseguiu se esquivar da responsabilização criminal após ser internado por um familiar, o que, segundo a polícia, chama atenção pela repetição do comportamento.
Em 2023, Thiago voltou a ser denunciado, desta vez por uma ex-companheira, por mantê-la em situação semelhante a cárcere privado por cerca de uma semana, além de agressões físicas e estupros. A vítima solicitou medidas protetivas.
Em 2024, a mãe novamente procurou a polícia, relatando novos episódios de violência e destruição de bens dentro de casa.
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