
Seria cômico se não fosse absolutamente trágico: moradores da Serra, vizinhos ao Hospital Estadual Dório Silva, denunciaram ao Jornal Tempo Novo o temor que o local esteja sendo um foco de criadouro de mosquitos da dengue. Isso porque imagens feitas por eles e encaminhadas a reportagem mostram equipamentos de uso hospitalar abandonados a céu aberto nas dependências do Dório Silva.
Sob a condição de anonimato, eles afirmaram que diversos vizinhos tanto das casas quanto dos prédios que ficam na parte esquerda do hospital, foram infectados pelo vírus da dengue e precisaram de atendimento médico. Eles acreditam que parte dos mosquitos portadores do vírus, o Aedes aegypti, podem estar vindo de Dório Silva, em meio a “bagunça” e ao “abandono” dos equipamentos.
Um dos moradores disse ao Tempo Novo que já informaram ao Hospital, porém nada foi feito. “Móveis sucateados mesmo; antigos e abandonados a céu aberto, ainda mais com as recentes chuvas, vejo da minha janela água empossada na superfície, faço ideia de como não esteja no interior e na parte de baixo daquela bagunça. Deve ter mosquito da dengue ‘a rodo’, ninguém vai lá, ninguém faz manutenção. Minha janela fica de frente para o hospital e não vejo ninguém fazendo nenhum tipo de controle”, disse um dos moradores dos apartamentos vizinhos.
Uma moradora que residente nos fundos do Dório Silva, disse que tem evitado deixar os filhos saírem para brincar no condomínio, já que na parte de trás do condomínio existe o remanescente do cinturão verde e limítrofe ao prédio está o Dório Silva, que de acordo com ela é um dos principais focos de dengue na redondeza.
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“O Poder público deveria dar exemplo, ficam dizendo que a gente precisa fazer o dever de casa para controlar a dengue e da minha janelo vejo o maior criadouro de mosquito da dengue dentro de um hospital, que lógica é essa?”, questiona a moradora.
Diferente de Jayme Santos Neves, que tem gestão terceirizada através de uma Organização Social, o Dório Silva é um hospital gerido diretamente pelo Governo do Estado, por meio da Secretária Estadual de Saúde. Essa, por sua vez foi demandada pela reportagem do Jornal Tempo Novo, mas não prestou nenhum tipo de justificativa para a denúncia dos moradores.
Vale lembrar que no último dia sete de marco, o próprio subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, declarou que o Espírito Santo está vivendo uma epidemia de dengue. De acordo com dados levantados pelo Tempo Novo junto a Prefeitura da Serra, a situação é alarmante no município: de 01 janeiro até 25 fevereiro de 2023, foram notificados 4.191 casos de dengue, um crescimento de 200% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Na reportagem do dia 07 de março, o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, disse que as mais de 34 mil notificações e os nove óbitos confirmados em apenas dois meses do ano já colocariam o Estado em alerta e no cenário de epidemia da dengue.
“Podemos considerar sim uma epidemia da dengue no Espírito Santo. Hoje temos cerca de 800 notificações para cada 100 mil habitantes, quando o ideal é abaixo de 100 notificações. Temos um cenário favorável para sua proliferação, com fatores ambientais, climáticos, além da confirmação da co-circulação de dois sorotipos, o DENV-1 e DENV-2, que ajudam no aumento considerado de casos”, explicou o subsecretário.
