Doença crônica do aeroporto

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É consenso entre grande parte dos pilotos de avião que o aeroporto de Vitória está entre os mais difíceis e perigosos de se operar. Além dos problemas estruturais que geram desconforto para os passageiros e profissionais do setor, há outros imbróglios enfrentados na perspectiva do piloto que são ainda mais sérios e que podem pôr em risco a vida humana.

Pra começar a pista é curta, com 1.750 metros de extensão. É a terceira menor entre os principais aeroportos comerciais do Brasil. Essa limitação impede a expansão estruturante de todo o aeroporto, pois não atende aeronaves de grande porte que conseguem carregar de 350 a 400 passageiros, pois não teriam condições de pousar nem decolar em uma pista como a de Vitória. Até mesmo para aviões ditos comuns, como um 737, não há tanta margem de segurança, ficando bem perto do limite.

Outro problema relativo à pista é o taxiway, que na prática serve como uma área de manobras para que as aeronaves possam acessar a pista de decolagem e o pátio de estacionamento. Isto permite que os aviões saiam rápido da pista de pouso e decolagem, abrindo espaço para outra aeronave pousar, dando fluidez às operações.

Em Vitória os números de taxiway’s são insuficientes, o que causa atrasos, pois corriqueiramente os aviões têm de fazer a manobra na própria pista enquanto as outras aeronaves têm de esperar, tornando as operações inflexíveis. Por esse motivo o capixaba fica um bom tempo dentro do avião esperando autorização para decolar.

Mestre Álvaro e Convento da Penha

Tamanho de pista e ausência de taxiway são duas coisa que ainda têm jeito. Mas os grandes gargalos que podem inviabilizar a expansão do aeroporto de Vitória são dois: Mestre Álvaro e Convento da Penha. Estes não tem como sair de onde estão.

São ‘obstáculos’ muito grandes, que estão na rota de pouso e decolagem.

Além deles há outros 2.054 obstáculos que violam toda a área da zona de proteção de aeródromo (campo de aviação) listados pelo Decea – Departamento de Controle do Espaço Aéreo.  Dentre eles prédios, placas de publicidade, morros, torres de alta tensão, antena.

Mestre Álvaro e o Convento da Penha impõem para o piloto situações de muita atenção, e diminuem muito a margem de erro, uma vez que o avião voa muito próximo deles. Numa eventual necessidade de arremeter, a chance de sucesso é duvidosa.

Este arranjo de problemas faz do aeroporto de Vitória um grande desafio para o ES. Um acidente não acontece por conta de um erro, mas de uma sucessão de erros. Numa conjuntura onde a pista é curta e limitada, com obstáculos de voo e grande inclinação para pouso, são reais as possibilidades de tragédia, caso o piloto enfrente pane no motor e condições climáticas ruins.

Neste cenário o avião pode não ter inclinação suficiente para desviar de tais obstáculos.  Por isso o ideal é que o Aeroporto de Vitória seja usado só por helicópteros e aeronaves de pequeno porte. Que se faça outro aeroporto melhor gabaritado em outro local. Até porque o desenvolvimento econômico do estado está condicionado a isto.

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