Dirigente quer mais verba para obras e mais participação popular

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Guilherme diz que vai brigar por uma cadeira no Conselho das PPP’s. Foto: Joatan Alves

No último sábado, Guilherme Lima foi confirmado como coordenador geral da Assembleia Municipal do Orçamento (AMO), durante a instalação do colegiado. Nesta entrevista, Guilherme que é morador de Manguinhos, fala sobre as prioridades da AMO, defende independência e parceria com a prefeitura e diz que vai brigar por um espaço no conselho gestor das  Parcerias Publico-Privadas, as PPP’s.   

Quais são as responsabilidades da Assembleia Municipal do Orçamento (AMO)?

A AMO é a participação popular na discussão, elaboração, acompanhamento e fiscalização de todo orçamento municipal, incluindo aí o plano plurianual (PPA) de investimentos e da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Outra importante atribuição é a elaboração de um quadro discriminativo das obras prioritárias aprovadas pelas associações de moradores, que é o orçamento participativo (OP).

Qual valor que a prefeitura deve destinar às obras do Orçamento Participativo (OP) em 2018?

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Ainda não dá para precisar, o valor que o município deve disponibilizar para investimento deve girar em torno de R$ 200 milhões, esperamos que uma parte considerável disso contemple o OP. Vamos elaborar um quadro discriminativo das obras prioritárias escolhidas pelo movimento popular da Serra e dialogar com a prefeitura, através da Secretaria de Planejamento, para definirmos como vamos trabalhar esse assunto. 

Quais são suas metas à frente da AMO?

Queremos criar um fundo, para atrair recursos municipais, estaduais, federais e até privado. A crise econômica limita a capacidade de investimentos da prefeitura e a demanda de obras só cresce. A AMO pode captar recursos, articular com deputados e senadores. A Serra é a maior cidade do ES. Vamos promover plenárias com lideranças comunitárias e dar orientação de como a AMO pode ajudar as suas comunidades. Vamos retornar com algumas comissões, em maior destaque está a comissão de Critério de Rateio onde possibilitará que o movimento popular debata valores reais dos investimentos para as obras do Orçamento Participativo, a intenção é fortalecer o OP.

Qual será a relação da AMO com a gestão?

A AMO não pode ser uma pedra no sapato da prefeitura, nem pode ser subserviente, nos elegemos através de uma chapa de consenso, temos lideranças de todos os lados e de vários partidos, e algumas até sem partido. Queremos independência e buscaremos parceria para cumprir os deveres legais da AMO. Devemos estar alinhados para que isso seja efetivamente executado. 

A AMO irá participar do processo de implantação das PPP’s?

A lei das PPP’s já foi votada e aprovada na Câmara sem a participação da sociedade. A Prefeitura vem afirmando uma intenção de implantar uma PPP para gestão do lixo, algo que pode custar R$ 50 milhões para os cofres públicos, e novamente, sem consultar o movimento popular. A AMO vai entrar nessa discussão, inclusive defendo partição no conselho gestor das PPP’s. Em época de Lava Jato, que escancarou a relação de promiscuidade entre o poder público e o empresariado, o movimento popular tem que ser convocado a participar, é o mínimo.

 

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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