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sábado, 26 de setembro de 2020

Destruição ambiental ’empurrou’ lobo guará para terras capixabas, diz Instituto  

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Espécie não é nativa da Mata Atlântica e chegou ao ES fugindo da destruição do cerrado e campos pelo agronegócio no centro – sul do país. Foto: Divulgação/Martin Harvey/WWF

‘Bombando’ nas redes sociais por ter sido escolhido o bicho para estampar a inédita cédula de R$ 200, o lobo guará não é nativo do ES mas já habita as terras capixabas. E a presença do animal por aqui é fruto da degradação ambiental de seu habitat, o cerrado brasileiro, além do risco de provocar desequilíbrio na mata Atlântica por não ser nativo deste bioma.

Em texto publicado em seu site, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) afirma que o animal foi avistado no ES pela primeira vez em 2003, no município de Afonso Cláudio. Na publicação, o biólogo Helimar Rabello afirma que é possível que a espécie tenha migrado de Minas Gerais, onde há cerrado e o desmatamento desse ambiente segue ocorrendo para dar espaço à criação de gado e para implantação de grandes lavouras do agronegócio nacional.

Então, segundo o biólogo, o lobo passou a migrar em busca de alimentação e refúgio nos fragmentos de mata Atlântica, onde é considerado espécie invasora.

“Pelo que parece, devido ao desmatamento do cerrado, ele chegou ao Espírito Santo por meio do Estado de Minas Gerais, adentrando pela região do Caparaó, expandindo o território para outros municípios do sul do Estado. É um animal que está expandindo território, pois tem sido alvo constante de produtores rurais e viu seu território ser tomado pelo agronegócio. Assim, está saindo do ambiente dele, o cerrado, pampas e campos sulinos para habitar outros ambientes”, explica Helimar na publicação.

Para o biólogo o lobo guará que chegou à mata Atlântica também pode ter vindo do sul do Brasil, onde habita o bioma dos campos e pampas do sul. De qualquer maneira, é mais provável que tenha adentrado o território capixaba pela divisa com Minas Gerais.

Helimar acrescenta que já houve avistamentos na região do Caparaó e também nos municípios de Cachoeiro do Itapemirim, Itapemirim e Presidente Kennedy, em ambientes desmatados. É possível que o lobo esteja interpretando esses locais como cerrado e campos naturais, que são os biomas de onde se origina a espécie.

Dos municípios em que foi avistado no ES, o que fica mais próximo da Serra é Afonso Cláudio, a cerca de 140 km.

Animal não é agressivo e está ameaçado de extinção

Na publicação do Iema, o biólogo explica que, diferente do que muitas pessoas possam imaginar, o lobo-guará não é agressivo com humanos. Pelo contrário, é tímido e arredio. Também não anda em matilhas, no máximo em casal. Helimar lembra ainda que as aparições no Espírito Santo, acabaram gerando a lenda de que havia um lobisomem rondando a região.

O biólogo explica que essa história pode ter surgido porque além do porte – o animal chega a medir 1,20 m de comprimento e 1,30 de altura – o lobo guará fica sobre as duas patas traseiras para se alimentar de frutos em árvores. Helimar desataca que o lobo é onívoro, ou seja, além de frutos também como pequenos roedores e aves. E é um grande dispersos de sementes, ajudando no reflorestamento.

Por conta da destruição de seu habitat original, atropelamentos e perseguição de fazendeiros que o consideram inimigo, o lobo-guará é espécie considerada vulnerável na lista de animais ameaçados de extinção.

Para Helimar, o fato do Governo Federal ter escolhido a espécie para estampar a nova nota de R$ 200 pode ajudar a criar uma empatia com o animal e isso contribuir para a proteção do lobo-guará.

Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

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