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quinta-feira, 09 de julho de 2020

Com ausência de Porto, Cabo Puppim quer manter vivo o DNA de direita na Câmara: “recebi uma missão”

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Yuri Scardinihttps://www.portaltemponovo.com.br
Morador da Serra, Yuri Scardini é o editor de política do Tempo Novo. Além de sua área, o jornalista, escreve para outras editorias do portal.

Cabo Puppim defende oxigenação no Legislativo. Foto: divulgação

Aos 43 anos de idade, o policial reformado e advogado Bruno Puppim se vê diante de um novo desafio: “contribuir com a mudança da Serra através da política”, mais precisamente na Câmara Municipal.

Acostumado com a rotina da farda e da viatura desde 2004, quando ingressou na Polícia Militar, em 2019, Cabo Puppim, como é conhecido, trocou as vestimentas militares pelo terno, quando se formou em direito e passou a advogar. Agora, como pré-candidato a vereador, ele quer renovar as fileiras do Legislativo.

Apoiador convicto do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), Cabo Puppim defende uma nova matriz político-ideológica para a Serra, mais assentada no espectro de direita. Puppim era amigo pessoal do ex-vereador Cabo Porto, que faleceu às vésperas do carnaval desse ano, em decorrência de um acidente de carro. Ele evita fazer comparações com Porto, mas defende que a ausência do ex-vereador acarretou em uma perda significativa de representação no parlamento municipal.

Você é uma figura nova no meio político da Serra. Resumidamente, qual a história de vida que o trouxe até aqui?

Nasci na vizinhança da Serra, ali na cidade de Aracruz em 1977. Desde pequeno me acostumei com a rotina de estar na Serra, já que o município funciona como um satélite para as cidades menores que o rodeiam. Comecei minha carreira cedo, por assim dizer… Fui escoteiro durante a infância e juventude. Aprendi muitos valores morais com essa experiência; gosto de praticar esportes, fui ciclista de competição por mais de 10 anos; estudei filosofia na UFES em 2002 mesmo ano em que prestei concurso para a PM, sendo admitido em 2004.

Quando entrou para a polícia, começou na Serra?

Tive uma experiência no 7° Batalhão em Cariacica e em 2009 fui transferido para o 6º Batalhão na Serra, lotado na 3° Cia em Barcelona. Foi neste período que me mudei definitivamente e constitui minha família aqui na cidade, sou casado há 11 anos com a também advogada Cristiane Puppim. Atuei como policial na ativa até 2019, quando comecei a advogar. Recebi mais de 50 elogios operacionais e 2 destaques operacionais, que são reconhecimentos da corporação. Muito me orgulho de tudo que vivi enquanto estive na ativa e de todos os irmãos de farda que fiz. Entre eles o Cabo Porto, que nos deixou prematuramente e faz muita falta, tanto na vida pessoal, como em nossa sociedade, sendo um representante que nunca se furtou em falar e praticar a verdade.

O Porto era conhecido por ser um vereador polêmico e ‘brigão’. Esse perfil é semelhante ao seu?

Veja, quero separar as coisas. Fui amigo do Porto desde que ingressei na 3° Cia do 6º Batalhão em 2009, até porque como PM’s sempre fomos muito parecidos, a gente metia a cara mesmo e trocava tiro com bandido, não dávamos mole… Quando ele entrou para a política, eu estava no grupo de apoiadores dele e me identificava muito com seu jeito de pensar e fazer política, muito ético e autêntico. Mas, não tenho a proposta de ser o ‘novo Porto’, o legado que ele deixou é dele, e nunca vai se apagar. A ausência do Cabo Porto abriu uma lacuna de representação. Não vejo ninguém brigando na Câmara por mais segurança pública, por valorização da categoria dos profissionais de segurança, não vejo ninguém indo nas comunidades e dando a cara a tapa. Então, não é uma questão de perfil, e sim de bandeiras.

É esse vácuo que te motivou a ser pré candidato a vereador?

Quando estamos na ponta, nosso trabalho é enxugar gelo. Entrava em tiroteio, perseguia carro em alta velocidade, e prendia bandido. Dava uma semana, o sujeito estava lá na rua de novo. Isso desmotiva o policial. Então fui para o direito, por entender que poderia fazer mais. Advogo principalmente para meus irmãos de farda, que sofrem todos os tipos de perseguição de um sistema que valoriza o bandido, que passa a mão na cabeça de vagabundo por que ‘ele não teve oportunidade’, como dizem. Nunca tive pretensão política, mas fui chamado por militares que sentiram que precisavam manter o espaço conquistado através do mandato do Porto. E como se diz, policial não foge da missão. E agora estou aqui, não participo de conchavos, e quando os partidos me procuram eu já mando a real, tem que ser uma sigla de direita, senão nem converso.

Entre essas bandeiras que você citou acima também estão inclusas as vertentes mais bolsonaristas?

Novamente, vamos separar as coisas, ok? O policial cumpre com seu dever perante a sociedade, e isso independe de sua opinião ideológica. Mas respondendo a sua pergunta de forma clara, sim, sou apoiador de Bolsonaro e quero trazer comigo valores morais que eu vejo nele, como o conservadorismo, os preceitos judaicos cristãos, a crença em Deus, o desejo de mudar o Brasil, a não intervenção na economia… Podem inventar o que for contra Bolsonaro, mas em quase 30 anos de vida pública não tem absolutamente nada que comprove que ele não é honesto. Quais políticos podem dizer mesmo?

Já que você tocou nestes temas, o Brasil está uma panela de pressão. Qual sua avaliação sobre a forma que Bolsonaro conduziu essa crise?

São duas crises, vamos lá: a primeira é em decorrência da pandemia, está afetando o mundo todo. O que o presidente defende é um equilíbrio entre o isolamento social imposto de forma ditatorial por estados; e o direito de a pessoa trabalhar para alimentar sua família e manter seu emprego, aí é um debate, que é normal. A segunda é uma crise institucional muito devido ao ativismo político por parte do Supremo Tribunal Federal. E como já dizia o ilustre Rui Barbosa, “a pior ditadura é a do Poder Judiciário, contra ela, não há a quem recorrer”. A polarização direita x esquerda é do jogo democrático, o que não dá é a Justiça tomar partido.

E aqui na Serra, o que é possível fazer como um pretenso vereador?

Fiscalizar e propor leis é a função básica de qualquer legislador. Mas precisamos qualificar essas duas ações. A Câmara da Serra aparece mais nas páginas policiais do que nas páginas políticas. Não quero generalizar, mas não sei nem quantos vereadores estão afastados por corrupção, perdi as contas. Enquanto isso, seguem todos recebendo salários normalmente. Revoltante demais isso.

Mas em termos objetivos?

Quero primeiro mostrar que dá para melhorar o processo político, sem fazer coisa errada… o Vereador tem que ser o elo entre as demandas da população e a Prefeitura. Em termos objetivos, precisamos valorizar nossa guarda municipal, com melhores salários, armar ela melhor, bandido está portanto fuzil hoje em dia na Serra. Precisamos de uma base operacional robusta e integração com a PM e a PC. Intermediar, no que for possível, melhores condições de trabalho e apoio jurídico às Polícias Militar, Civil, Penal e Corpo de Bombeiros que trabalham e/ou residem em nosso Município. Na economia precisamos desburocratizar as licenças, alvarás das micros e pequenas empresas para facilitar investimentos privados e gerar emprego, por exemplo. Defesa e ajuda às necessidades das pessoas com deficiência, em especial pela inclusão das pessoas com autismo. Além de propor e defender melhor remuneração para os profissionais da saúde, bem como melhores condições de trabalho. Isso tudo só será possível através de renovação, está claro que com estes que estão aí, não dá mais.

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