Uma capixaba de 29 anos foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) após passar por uma crise emocional relacionada à perda de uma gestação. O caso aconteceu no início de setembro, em Malden, no estado de Massachusetts, e ganhou repercussão após ser noticiado pelo Boston Globe e pela Folha de S.Paulo.
Iara do Carmo Santana havia sofrido um aborto espontâneo no fim de agosto, quando estava com aproximadamente seis semanas de gestação. Após a perda, ela passou por um procedimento médico e, segundo seu relato, desenvolveu uma infecção e precisava continuar tomando medicamentos.
No dia 3 de setembro, o noivo de Iara, o também brasileiro Gabriel Lemos, acionou o serviço de emergência pelo número 911. Segundo o casal, a intenção era conseguir ajuda durante uma crise emocional enfrentada pela brasileira após o aborto.
A ocorrência, porém, terminou com a prisão de Iara. Segundo as autoridades, ela teria agredido o companheiro durante uma discussão. O casal nega a acusação.
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O que a aconteceu com a brasileira presa pelo ICE?

O Portal Tempo Novo apurou que Iara permaneceu por cerca de seis horas sob custódia da polícia de Malden. Depois, foi entregue ao ICE, órgão responsável pela fiscalização das leis de imigração nos Estados Unidos. A capixaba foi levada para uma unidade do ICE em Burlington, onde permaneceu por aproximadamente quatro dias. Durante o período, ela afirma que não recebeu os medicamentos prescritos após o procedimento médico e que os sintomas da infecção pioraram.
Iara também relatou ter dormido no chão durante o período de detenção e enfrentado dificuldades para receber atendimento médico.
O centro de Burlington já havia sido alvo de reclamações relacionadas às condições oferecidas aos imigrantes detidos. Segundo relatos apresentados em processos judiciais e reportagens, pessoas mantidas no local afirmaram ter enfrentado falta de colchões, produtos de higiene, chuveiros e atendimento médico adequado.
A defesa de Iara entrou com um pedido de habeas corpus na Justiça Federal dos Estados Unidos. Em 8 de setembro, o juiz Leo T. Sorokin determinou a libertação da brasileira e impediu que ela fosse transferida para outro estado ou deportada naquele momento.
Durante a audiência, Sorokin questionou as condições oferecidas pelo ICE para pessoas mantidas na unidade de Burlington e afirmou que uma pessoa sob custódia deve receber atendimento médico.
Após deixar a unidade, Iara voltou para casa e passou a responder em liberdade pela acusação de agressão. O processo criminal ainda está em andamento.
A situação migratória da brasileira também não foi definida. Ela entrou nos Estados Unidos pela fronteira com o México em 2021, solicitou asilo e recebeu autorização para trabalhar. Uma audiência relacionada ao pedido de asilo está marcada para 2029.
Iara vive em Massachusetts com Gabriel e o filho dela, de seis anos. O casal planeja se casar e, posteriormente, ela pretende buscar a regularização de sua situação migratória.