Câncer de colo do útero pode ser o primeiro a ser eliminado, apontam cientistas

Compartilhe:
câncer colorretal
Crédito: Divulgação

Quarto tipo de câncer mais comum entre mulheres em todo o mundo, o câncer de colo do útero pode se tornar a primeira neoplasia humana a ser eliminada por meio de uma ação coordenada em escala global. A projeção aparece em uma edição especial da revista Cancer Biology & Medicine, que reuniu especialistas internacionais para analisar avanços, desafios e inovações capazes de transformar esse cenário nas próximas décadas.

A publicação reúne estudos sobre políticas públicas, tecnologias emergentes de rastreamento, vacinação contra o HPV, terapias inovadoras e ferramentas digitais aplicadas ao diagnóstico precoce. O conjunto de evidências reforça a avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabeleceu como meta eliminar o câncer de colo uterino como problema de saúde pública até 2030.

Para a médica oncologista Dra. Virgínia Altoé Sessa, do Hospital Santa Rita, o movimento representa um uma conquista histórica da ciência. “Diferentemente de outros tipos de câncer, o câncer de colo do útero tem uma causa predominantemente conhecida, que é a infecção persistente pelo HPV, e possui ferramentas de prevenção e detecção muito eficazes. Quando somamos vacinação, rastreamento organizado e tratamento adequado das lesões precursoras, criamos possibilidades reais para eliminar essa doença”, analisa.

Apesar do otimismo, a oncologista destaca que os desafios ainda são grandes, especialmente em países de baixa renda e regiões com acesso limitado aos serviços de saúde. “Em algumas regiões do País, mulheres continuam morrendo de uma doença que poderia ser evitada ou tratada precocemente. A eliminação só será possível se garantirmos que tecnologia, vacina e acompanhamento cheguem a todas, independentemente do lugar onde vivem”, afirma Sessa.

A edição especial da revista ressalta o papel das novas tecnologias, como algoritmos de inteligência artificial em colposcopia, testes de HPV de alto desempenho e modelos de vacinação ampliada. Para especialistas, essas inovações, quando integradas a políticas públicas bem estruturadas, podem acelerar o caminho rumo à eliminação global do câncer cervical.

“A ciência já nos mostrou que é possível. O que precisamos agora é transformar conhecimento em ação e impedir que futuras gerações desenvolvam um câncer que, em boa parte dos casos, é prevenível”, reforça a oncologista Virgínia Altoé Sessa.

Foto de Guilherme Marques

Guilherme Marques

Guilherme Marques é jornalista e atua como repórter do Portal Tempo Novo.

Leia também