“Dar a outra face” quando se é agredido é um ensinamento bíblico conhecido. Na Serra, no entanto, o vereador Pastor Dinho (Evandro de Souza Ferreira Braga) escolheu um caminho diferente daquele ensinado por Jesus. Ataques e acusações feitos por ele nas redes sociais contra outro líder religioso deram início a um embate público que escancarou um conflito entre lideranças religiosas da cidade.
O alvo das declarações foi o pastor Marcelo Ferreira, presidente da Associação de Pastores da Serra (Apes), acusado por Dinho de ser um “falso pastor” e de usar a entidade como um “curral eleitoral”.
Os desentendimentos entre os dois não são recentes e já haviam se manifestado durante as eleições municipais de 2024. No entanto, neste domingo (25), o embate ganhou novos contornos quando o vereador Pastor Dinho utilizou suas redes sociais para atacar diretamente o presidente da Apes.
O parlamentar afirmou que a associação comandada por Marcelo Ferreira funcionaria como um “curral eleitoral”.
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“Comentando a fala de um falso pastor, na minha opinião, ele é um falso pastor, que é presidente da Associação de Pastores da Serra, falando para não seguir os críticos (…). Esse cara não merece o respeito do conservador e não merece o respeito da Direita (…). Eu não tenho medo dessa Associação de Pastores, que é um curral eleitoral. Esse falso pastor tira vantagem política com essa Associação de Pastores”, declarou o vereador.
As declarações ocorreram após o pastor Marcelo Ferreira se pronunciar durante o evento Verão com Jesus, realizado no sábado (24), em Jacaraípe, na Serra. Em vídeos que circulam nas redes sociais, ele aparece elogiando deputados, vereadores e a Prefeitura da Serra, além de afirmar que “as pessoas não deveriam seguir os críticos”.
“Pastor perdido no caminho da política”, diz presidente da Apes
Em conversa com o Portal Tempo Novo, o pastor Marcelo Ferreira se defendeu das acusações feitas pelo vereador e afirmou que Pastor Dinho “se perdeu no caminho da política”. Segundo ele, o tom adotado nas redes sociais demonstra uma busca por exposição.
“Quando um ‘pastor’ vai à sua rede social, com centenas de seguidores, e usa palavras como ‘falso pastor’, ‘esquerdista’ e ‘corrupto’, esse merece orações, pois se perdeu no caminho da política e do desejo por fama”, afirmou.
Sobre a acusação de ser um “falso pastor”, Marcelo disse que a classificação tem sido usada contra líderes religiosos que não adotam posturas radicais.
“Infelizmente, se você não é radical e não utiliza as redes sociais para agredir verbalmente o governador do Espírito Santo e o prefeito da Serra, você se torna um falso pastor”, disse.
Na sequência, ele apresentou seu histórico religioso e sua atuação à frente da associação.
“Tenho 21 anos de ordenação pastoral. Até dezembro de 2025, estive por quase 30 anos caminhando com o mesmo pastor e ministério. Tenho uma igreja com mais de 120 membros no bairro Maringá, na Serra, e estou há seis anos à frente da APES – Associação de Pastores Evangélicos da Serra. Claro que não representamos todos os pastores, pois existem conselhos, convenções e ligas independentes”, afirmou.
Marcelo também rebateu a acusação de que a entidade funcionaria como instrumento político.
“A APES tem a missão de orar pelos políticos, inclusive por ele, o vereador da Serra, Dinho Souza. A associação mantém diálogo com os governantes, e nossos encontros são abertos. Quando políticos participam das reuniões, cumprimos o que a Bíblia ensina: orar pelas autoridades constituídas”, declarou.
Por fim, o presidente da Apes afirmou que já tentou resolver a situação pessoalmente, mas que as críticas continuam sendo repetidas.
“Já me sentei com o vereador, diante de testemunhas, e esclareci todas as dúvidas. Infelizmente, ele insiste na mesma fala. Sou casado, marido de uma só mulher, tenho 57 anos, sou gestor comercial de uma grande empresa no município, não ocupo cargo público e atuo no social, ajudando diversas famílias com emprego, alimentação e assistência”, concluiu.

