Uma das maiores instituições financeiras do país acelerou a redução de sua estrutura física e do número de trabalhadores. Em apenas 12 meses, centenas de agências deixaram de funcionar e mais de 2 mil postos de trabalho desapareceram em diferentes estados brasileiros.
O movimento ocorre justamente em um período de crescimento dos resultados financeiros. Enquanto diminui sua presença física, o banco acumula dez trimestres consecutivos de avanço no lucro e amplia sua quantidade de clientes.
A instituição por trás dos cortes é o Bradesco. Entre junho de 2025 e junho de 2026, o banco fechou 324 agências em todo o Brasil e eliminou 2.448 postos de trabalho. Somente no segundo trimestre deste ano, o saldo ficou negativo em 868 empregos bancários.
Ao final do primeiro semestre de 2026, o Bradesco mantinha 79.699 funcionários, sendo 67.954 trabalhadores classificados como bancários.
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Bradesco lucrou quase R$ 14 bilhões no semestre
A redução da rede acontece em meio a resultados financeiros positivos. O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
O valor representa crescimento de 16,2% em comparação com o primeiro semestre de 2025. Já entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, o lucro avançou 3,5%.
Além disso, o retorno sobre o patrimônio líquido chegou a 16% no semestre, avanço de 1,4 ponto percentual em 12 meses. Segundo dados divulgados sobre o balanço, o crescimento do lucro foi o maior entre Bradesco, Itaú e Santander no período.
Ao mesmo tempo, a quantidade de clientes aumentou. A base do banco ganhou cerca de 300 mil clientes em 12 meses e chegou a aproximadamente 110,4 milhões.
Bradesco explica fechamento das agências
O Bradesco atribui a transformação de sua estrutura principalmente à mudança na forma como os clientes utilizam os serviços bancários.
Atualmente, cerca de 98% das transações realizadas pelos clientes passam pelos canais digitais, incluindo aplicativo e internet banking.
Com isso, o banco afirma que analisa o movimento de cada unidade antes de modificar sua rede. Entre os fatores considerados estão a procura pelo atendimento presencial, o avanço dos canais digitais em cada região e a eficiência operacional das agências.
Unidades próximas ou com baixo movimento também podem ser integradas a estruturas maiores.
Clientes continuam com atendimento presencial
Apesar do fechamento das agências, o Bradesco afirma que os correntistas continuam tendo opções de atendimento presencial.
Segundo a instituição, os clientes podem procurar outras agências próximas e utilizar os pontos do Bradesco Expresso. Os serviços digitais também continuam disponíveis para operações realizadas pelo celular ou computador.
A estratégia acompanha uma transformação que ocorre há anos no setor bancário brasileiro, com redução de estruturas tradicionais e crescimento das operações realizadas sem necessidade de comparecer a uma agência.
Bradesco nega programa de demissão em massa
Mesmo com a redução de 2.448 postos em 12 meses, o Bradesco afirma que não mantém um programa de demissões em massa.
Segundo o banco, mudanças no quadro de trabalhadores fazem parte de ajustes organizacionais. A instituição diz priorizar transferências internas, mobilidade profissional e reposicionamento dos funcionários quando existe possibilidade.
O Bradesco também afirma que continua investindo em treinamento e qualificação para preparar os trabalhadores para as mudanças tecnológicas do mercado financeiro.
A redução de empregos, entretanto, recebeu críticas de entidades que representam os bancários.
Sindicato critica cortes no Bradesco
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região questionou a estratégia adotada pelo banco diante do crescimento do lucro e da base de clientes.
Para a entidade, a diminuição de funcionários e agências pode aumentar a sobrecarga dos trabalhadores que permanecem na instituição e dificultar o atendimento presencial aos consumidores.
Outro número apresentado pelo sindicato chama atenção. A receita do Bradesco com prestação de serviços e tarifas bancárias chegou a R$ 15,8 bilhões em 12 meses, crescimento de 5%. Segundo a entidade, esse montante corresponde a 117% das despesas do banco com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Enquanto reduz sua estrutura física, o Bradesco segue ampliando outras áreas de atuação. A carteira de crédito expandida chegou a R$ 1,137 trilhão em junho de 2026, com crescimento de 11,6% em 12 meses.