Assédio sexual: deputados denunciam omissão e pedem afastamento de diretora

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Assédio sexual: deputados denunciam omissão e pedem afastamento de diretora
CPI ouviu diretora e superintendente. Foto: Ellen Campanharo

A diretora da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, que fica em Serra Sede, pode ser afastada do cargo por “omissão” na apuração das denúncias de assédio sexual supostamente praticado por um professor da unidade escolar. O pedido de afastamento foi feito pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos da Assembleia Legislativa (Ales).

As denúncias de assédio sexual foram feitas pelas estudantes, inicialmente, através de cartas que foram espalhadas pela escola. Mas ganhou forte repercussão pelas redes sociais no último dia 25. Ainda na internet, as estudantes dizem que a direção da escola foi omissa quando recebeu as denúncias.

Após a repercussão do caso, o professor acusado foi afastado das suas funções. Mas, de acordo com a assessoria de imprensa da Ales, quando o caso veio à tona, os deputados descobriram que outros dois professores da escola também teriam assediado estudantes.

Em sessão realizada na manhã desta terça-feira (2), o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB), que é o presidente da CPI, acusou a escola de omissão. “Hoje, tive o desprazer, de constatar total falta de sensibilidade da direção da escola, ao receber as graves acusações que os pais dos alunos relataram para a escola. Tem acusações feitas há mais de 60 dias e a escola não fez nada”, disse o parlamentar. Participaram da sessão, o superintendente regional de Educação de Carapina e a diretora da escola.

Vandinho ainda pediu que a Secretaria Estadual de Educação afaste todos os envolvidos no caso, inclusive a diretora da unidade escolar. “Como presidente da CPI, deliberamos a indicação do afastamento imediato da diretora e dos professores acusados. Espero que o Secretário de Educação, faça o correto e acate o nosso pedido”, declarou o deputado.

Diretora diz que apurou denúncias

Durante a reunião, a diretora da escola afirmou que tratou o caso com seriedade e deu início aos procedimentos administrativos. “Ao tomar conhecimento, iniciamos um processo interno para apurar a situação. Chamamos os pais e as alunas para compreender a situação. E em seguida falamos com o professor. Ele confirmou os atos, mas disse que era uma brincadeira e se desculpou. Avisamos a superintendência que afastou preventivamente o professor”, afirmou a profissional que pode ser afastada do cargo.

Vítimas procuraram a Assembleia Legislativa

A Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa (Ales) foi procurada pelas famílias de duas alunas da escola. De acordo com as estudantes, um professor da instituição teria pedido para encontrar as vítimas fora da escola, além de fazer elogios, insinuações e pedir beijos.

Segundo os depoimentos feitos pelas alunas e suas mães, o professor teria pedido para encontrar as vítimas fora da escola, além de fazer elogios e pedir beijo. “Ele tentava seduzir as vítimas e criava uma situação constrangedora. Há relato em que ele solicitou que uma aluna tocasse o órgão sexual dele sob pretexto de pegar uma régua”, contou Pazolini.

Além das denúncias das alunas, a comissão também ouviu relatos de uma ex-aluna da escola que também disse ter sofrido assédio do professor entre 2009 e 2011.

Professor acusado não vai à reunião

Conforme noticiado pelo TEMPO NOVO, o professor da escola acusado de assédio sexual havia sido convocado para prestar depoimento na CPI, mas apresentou atestado médico. Ele será reconvocado para prestar depoimento na reunião do dia 16 de julho.

O que diz a Sedu

No dia 25 de junho, por nota, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), informou que “A Superintendência Regional (SRE) de Carapina esclarece que assim que a Direção da Escola tomou conhecimento da situação pela rede social, conversou com as alunas e seus responsáveis e que já está dialogando também com os profissionais citados, no intuito de apurar o suposto assédio.

A Sedu enfatiza que não compactua com este tipo de conduta, por isso que está apurando o fato e que, se for comprovado algum comportamento inadequado de servidor, as medidas cabíveis serão adotadas. A SRE informa, ainda, que em momento nenhum exigiu a retirada dos posts”.

O TEMPO NOVO acionou novamente a Sedu nesta terça-feira (2) que através de nota disse que a “secretaria lamenta a denúncia e ratifica que não compactua com a suposta conduta do servidor e que ele será afastado a partir desta quarta-feira (03)”.

Sobre o pedido de afastamento da diretora, a Sedu disse que irá ouvi-la para dar encaminhamento aos “procedimentos necessários”. 

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