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ArcelorMittal inaugura dessalinizador para diminuir uso do rio que abastece a Serra

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Maior indústria instalada na Serra, a ArcelorMittal Tubarão usa carvão mineral em seus processos. Foto: Divulgação/ArcelorMittal Tubarão

No último dia 14, a maior consumidora individual do rio Santa Maria, a ArcelorMittal Tubarão inaugurou a  sua planta de dessalinização de água do mar, com objetivo de reduzir a pressão sobre o manancial que abastece Serra, Vitória e Fundão (Praia Grande). A planta entrará em operação ainda neste mês de setembro.

O sistema é resultado de investimentos de R$ 50 milhões, tem capacidade inicial para dessalinizar 500 m³/hora de água, o que significa gerar 138 litros de água por segundo. O que já é um alívio, uma vez que só a ArcelorMittal Tubarão consome cerca de 500 litros por segundo do Santa Maria, segundo dados passados pelo Cesan em anos anteriores.

E essa água não é tratada pela Cesan,  a empresa bombeia o líquido bruto captado na região de São José do Queimado – zona rural da Serra – direto para a planta da Arcelor em Tubarão.

De acordo com o CEO da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Baptista Filho, mesmo com os desafios impostos pela pandemia, as obras foram realizadas dentro do cronograma previsto. “Sua construção demandou a criação de 220 novos postos de trabalho. Um grande volume de profissionais que, juntamente às nossas equipes, executou todo o processo dentro dos mais rígidos controles de segurança para garantir a saúde e a integridade de todos”, explicou.

Segundo o CEO, a produção da planta está alinhada à estratégia da empresa frente a futuros cenários de escassez hídrica. A água tratada será destinada para fins industriais, substituindo parte do volume consumido do Rio Santa Maria da Vitória e permitindo, assim, maior disponibilidade do recurso para a sociedade.

Benjamin explica que o sistema utilizará tecnologia de osmose reversa, bastante comum em países como Israel, Espanha, Estados Unidos e outros, para captação de água do mar.

“Nossas equipes fizeram estudos durante cerca de dois anos, incluindo avaliação de várias alternativas tecnológicas para dessalinização, análises de qualidade da água do mar, discussões técnicas com fornecedores de todo o mundo, testes em laboratório e até visitas técnicas em plantas na Argentina e nos Estados Unidos. Tudo para definir pelo projeto mais ajustado à nossa realidade e expectativas”, afirma. Pesquisadores do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ArcelorMittal do Brasil e da Espanha (Astúrias) participaram do estudo.

Construída em área de cerca de 6 mil m², a planta consumirá cerca de 3MW de energia elétrica e representa menos de 1% do total de energia gerada pela própria ArcelorMittal Tubarão, que é autossuficiente.

Um dos diferenciais do projeto está na sua configuração por módulos. O primeiro terá capacidade para dessalinizar 500 m³/hora de água do mar (suficiente para abastecer cerca de 80 mil pessoas/dia), com possibilidade de serem acrescentados módulos futuramente.

Todo seu processo não gerará impactos ambientais significativos. A solução de sal em água resultante da dessalinização, a salmoura, será devolvida ao mar por um canal de retorno já existente na usina.

Por conta de sua tecnologia inovadora e acessível, o projeto também deverá contribuir para o desenvolvimento futuro de mão de obra especializada no país. Em 2019, foi premiado como o  “Projeto Inovador”, durante o Congresso IDA – International Desalination Association, principal evento mundial de dessalinização e tratamento avançado do mundo, realizado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

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