Ano volátil leva Serra a fechar 2025 com queda nas exportações e déficit comercial

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A cidade da Serra encerrou o ano de 2025 com retração no comércio exterior e déficit na balança comercial, refletindo um cenário internacional mais restritivo e a necessidade de redirecionamento de mercados por parte das empresas exportadoras instaladas no município.

De acordo com dados do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações da Serra somaram US$ 1,9 bilhão entre janeiro e dezembro de 2025, enquanto as importações totalizaram US$ 2,4 bilhões, resultando em um déficit comercial de US$ 521,3 milhões no período.

O desempenho ocorreu em um ano marcado por restrições tarifárias impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que impactaram diretamente setores industriais estratégicos e exigiram adaptações logísticas e comerciais por parte das empresas locais.

Cabe também algumas ressalvas. O perfil do comércio exterior da Serra reflete um modelo industrial intensivo em energia e insumos importados, característica comum de polos siderúrgicos, mas que vem sendo cada vez mais pressionada por restrições sustentáveis no comércio internacional.

Exportações recuam mais de 13% em relação a 2024

Em comparação com 2024, as exportações da Serra apresentaram queda de 13,6%, enquanto as importações recuaram 13,2%. Mesmo com a retração em ambos os fluxos, o volume importado permaneceu superior ao exportado, pressionando o saldo comercial.

No acumulado de 2025, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) do município atingiu US$ 4,2 bilhões, também com redução de 13,4% na comparação anual.

Apesar do recuo, a Serra manteve posição de destaque no cenário estadual:

  • 2º maior exportador do Espírito Santo, com 17% de participação nas exportações do estado;
  • 3º maior importador estadual, concentrando 17,2% das importações capixabas.

No ranking nacional, o município ocupou a 36ª posição entre os exportadores brasileiros e a 28ª entre os importadores em 2025.

Volatilidade ao longo do ano

Os dados mensais de exportação reforçam o caráter volátil do comércio exterior da Serra em 2025. Ao longo do ano, os valores oscilaram de forma bastante expressiva, sem uma trajetória contínua de crescimento ou queda.

O maior volume mensal de exportações foi registrado em dezembro, com US$ 226,4 milhões, enquanto o menor resultado ocorreu em abril (mês que o presidente Donald Trump anunciou sobretaxas ao Brasil), quando as vendas externas somaram US$ 95,1 milhões, menos da metade do pico observado no fim do ano.

Entre esses extremos, o desempenho variou de forma irregular. Após um início de ano relativamente elevado, com US$ 181,8 milhões em janeiro, as exportações recuaram nos meses seguintes, atingindo o ponto mais baixo em abril. A partir de maio, os valores voltaram a subir, com oscilações sucessivas, alcançando patamares acima de US$ 170 milhões em meses como julho e setembro, antes de nova retração em outubro e novembro e forte recuperação em dezembro.

A amplitude entre o menor e o maior valor mensal evidencia a instabilidade do fluxo exportador ao longo de 2025, refletindo tanto fatores conjunturais do mercado internacional quanto ajustes na dinâmica de produção e embarque das empresas exportadoras do município.

Exportações – Serra (ES) em 2025

Valores mensais (US$ FOB) • Fonte: Comex Stat/MDIC

Mês Município Valor (US$ FOB) Destaque
Dezembro Serra – ES US$ 226.492.721 Máxima do ano
Novembro Serra – ES US$ 120.862.832
Outubro Serra – ES US$ 148.381.319
Setembro Serra – ES US$ 187.738.225
Agosto Serra – ES US$ 149.493.721
Julho Serra – ES US$ 172.984.965
Junho Serra – ES US$ 154.534.108
Maio Serra – ES US$ 150.241.440
Abril Serra – ES US$ 95.104.707 Mínima do ano
Março Serra – ES US$ 138.008.763
Fevereiro Serra – ES US$ 129.330.053
Janeiro Serra – ES US$ 181.821.553
Observação: valores extraídos da tabela exibida no Comex Stat para o município de Serra (ES), ano de 2025.

Estados Unidos seguem como principal destino

Mesmo diante das incertezas na relação comercial com os norte-americanos, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações da Serra, respondendo por 59,6% do total exportado em 2025.

A concentração evidencia a relevância do mercado norte-americano para a base industrial serrana, ao mesmo tempo em que expõe a vulnerabilidade do município a mudanças na política comercial daquele país.

Além dos Estados Unidos, outros destinos relevantes foram:

  • Argentina (6,0%);
  • França (5,4%);
  • Reino Unido (3,5%);
  • Polônia (3,2%);
  • Itália (2,5%);
  • Canadá (3,5%);
  • China (1,3%).

Produtos siderúrgicos lideram pauta exportadora

A pauta de exportações da Serra em 2025 manteve forte concentração em produtos de base industrial, especialmente ligados à cadeia do aço.

Seguindo o padrão histórico, a pauta exportadora foi fortemente concentrada em produtos semimanufaturados da cadeia siderúrgica, derivados do ferro-gusa, produzido pela ArcelorMittal Tubarão. Gerado a partir do minério de ferro, o ferro-gusa é a etapa inicial da cadeia siderúrgica e a principal matéria-prima para a fabricação do aço.

Outros produtos relevantes na pauta exportadora foram:

  • Outras ligas de aço semimanufaturadas (8,0%);
  • Produtos laminados de ferro ou aço;
  • Café (3,6%), mantendo relevância mesmo em um município com perfil predominantemente industrial;
  • Pedras de cantaria e de construção (17,3%), segmento ligado à indústria extrativa e de beneficiamento de rochas.

Importações crescem em insumos industriais e energia

No campo das importações, a Serra manteve perfil fortemente industrial, com destaque para insumos energéticos e produtos químicos.

O principal item importado em 2025 foi Hulhas, briquetes e combustíveis sólidos derivados do carvão, que responderam por 38,2% das importações totais do município. Esses produtos são utilizados principalmente como combustível e insumo industrial, especialmente na siderurgia, onde o carvão mineral é indispensável para a produção de ferro-gusa.

Outros produtos de destaque incluem:

  • Adubos e fertilizantes minerais ou químicos, somando mais de 15% do total importado;
  • Produtos químicos industriais;
  • Máquinas, equipamentos e aparelhos elétricos;
  • Produtos minerais diversos.

A estrutura das importações reflete muito claramente a dependência de insumos estratégicos para a indústria local, especialmente nos setores metalúrgico, siderúrgico e químico.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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