Água salobra da Cesan faz moradores passarem mal na região da Serra Sede

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Água salobra da Cesan faz moradores passarem mal na região da Serra Sede
Moradores de Serra Sede reclamam da qualidade da água. Foto: Edson Reis

O gosto salobro e o cheiro de produto químico semelhante à amônia na água da Cesan relatado por moradores da Serra Sede nos últimos dias está provocando mais do que incômodo. Consumidores da região atendida pelo sistema do rio Reis Magos relataram problemas de saúde que acreditam estarem relacionados à ingestão do líquido.

Caso de Beike Vieira, morador do bairro São Marcos. “Além do gosto duvidoso da água, minha filha de 3 anos e minha esposa tiveram diarreia. Ultimamente, eu e minha esposa acordamos sempre com dor de cabeça. Agora, não consumo mais essa água, só galão comprado. E tive que pagar R$ 13 no galão”, afirma.

Beike ressalta que, antes de recorrer à água envasada em galões, ele já usava três filtros antes de consumir o líquido fornecido pela Cesan. Mas nem isso foi suficiente para remover o gosto de sal e o cheiro anormal da água.

Do bairro Palmeiras, Sandra Gomes disse que já teve náusea e dor de estômago ao beber a água da Cesan. Embora não tenha relatado problemas de saúde, a moradora de Jardim Bela Vista, Jaqueline Curto, desabafou.

 

Água salobra da Cesan faz moradores passarem mal na região da Serra Sede
A captação da Cesan no Reis Magos está a pouco mais de 12 km da foz do rio em Nova Almeida, por onde entra a água salgada do mar. A estação de tratamento de água da Cesan fica também na região de Putiri. De lá, o líquido tratado é levado por tubulação até a Serra Sede. Imagem: Google Earth. Arte: Tempo Novo

“Depois que começaram a captar água do Rio Reis Magos, a qualidade ficou horrível, água suja e, agora, salgada, sendo impossível o seu consumo. Cadê a fiscalização dos órgãos competentes para notificar essa empresa? Até quando vamos ter que ficar bebendo água salgada?”, questiona.

Jaqueline lembra que a situação é pior para as pessoas mais pobres, que não têm condições de comprar água envasada (mineral). “Que essa situação se resolva o mais rápido possível, senão a população irá tomar providências drásticas; o Ministério Público terá que tomar ciência sobre o caso. Que a Cesan seja punida por essa irresponsabilidade”, conclui.

De Nova Carapina I, Adriana Rocha disse que na sua casa e dos vizinhos também está chegando água salobra e com cheiro de produto químico. De Planalto Serrano, Welinton Nanau disse que funcionários da Unidade de Saúde de Campinho da Serra passaram a comprar água mineral para beber durante o trabalho com receio do líquido fornecido pela Cesan. Ele também trabalha na unidade.

Disse, ainda, que já comunicou a situação à Cesan e à Prefeitura da Serra, mas ainda não teve resposta. Em nota, a Prefeitura disse que notificou a Cesan e que agentes do Vigiágua (serviço de monitoramento da qualidade da água que chega às torneiras) estavam fazendo coleta de amostras para análise. O Município não adiantou prazos de quando terá os resultados.

Demandada desde a manhã da última segunda-feira, a Cesan não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Salinização do rio Reis Magos foi alertada há três anos

Previsto apenas para 2020, o sistema de captação e tratamento de água do rio Reis Magos foi antecipado em três anos pela Cesan/Governo do Estado na gestão do ex-governador Paulo Hartung em razão da superseca que atingiu o Espírito Santo entre 2014 e 2016, sobrecarregando o principal manancial que abastece a Serra, o rio Santa Maria.

Ao custo de R$ 70 milhões para atender 150 mil pessoas na Serra Sede e entorno, além de bairro do Civit I, o sistema Reis Magos entrou em operação no final de 2017. Entretanto, em julho de 2016, por sugestão de produtores rurais de Putiri – região onde a Cesan capta o líquido do Reis Magos -, a reportagem do TEMPO NOVO esteve no local para checar a denúncia de que o rio estava com a água salobra próximo ao trecho onde seria construída a captação. E, de fato, a água do rio estava com esse sabor. Tanto que até parte da vegetação das margens estava morta, o que, segundo produtores rurais, indicava a presença de sal no rio.

Na ocasião, o então presidente da Associação dos Produtores Rurais da Serra explicou que a água do mar estava invadindo o rio além do normal, chegando até o ponto em que a Cesan pretendia fazer a captação (a obra ainda não estava pronta). Isso porque, devido à longa estiagem, na época o Reis Magos estava com volume muito baixo e perdeu força, permitindo a invasão da cunha salina vinda do mar em Nova Almeida, cerca de 13km abaixo do ponto onde seria instalada a captação da Cesan.

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