A Rede quer arrastar geral

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Os próximos dias serão de muita expectativa na esfera política, com o esperado anúncio de criação do partido Rede Sustentabilidade, que tem como ícone a ex-senadora e ex-candidata à presidência da República, Marina Silva. Uma das poucas figuras da política nacional que não recai nenhuma mancha sobre sua biografia.

Muita expectativa também sobre as mudanças que poderão ocorrer na legislação eleitoral, que saiu do Senado e volta para a Câmara dos Deputados. Mudanças essas que incidirão sobre o pleito do ano que vem, tais como tempo de filiação e domicílio eleitoral, tempo de campanha, financiamento de campanha, entre outros tópicos importantes para a tomada de decisões dos partidos.

A criação do Rede ‘assombra’ muitos partidos e lideranças, tanto a nível federal, estadual quanto municipal, principalmente depois do desencadeamento da Operação Lava Jato, que expôs um relacionamento incestuoso entre alguns dos principais partidos, grandes empreiteiras do país e o Governo Federal.

O Rede seria a porta de entrada para inúmeros políticos, de matiz ideológica diversificada, que estão insatisfeitos em suas atuais legendas, ou que buscam um local com melhores condições de se eleger ou reeleger. Não seria exagero dizer que poderia ser um movimento migratório de políticos, fugindo de suas legendas e buscando abrigo no único vizinho que possa recebê-los sem risco de perder os mandatos que tem.

PT, PSB, PDT, PPS, PSDB, entre outras siglas irão perder muitos filiados com mandatos, tanto no Senado, na Câmara Federal, quanto nas assembleias legislativas e câmaras municipais.

Aqui no Estado a expectativa para com o registro do Rede é grande. Há movimentos de criação do partido em dezenas de municípios; de filiações de deputados estaduais, de vereadores, de prefeitos e de centenas de pré-candidatos na eleição de outubro do ano que vem.

O prefeito Audifax Barcelos aproveitou a passagem de Marina Silva pelo PSB para criar com ela um relacionamento que o coloca hoje na condição de liderança política estadual de maior projeção rumo ao Rede, totalmente alinhado com o núcleo de simpatizantes da ex-senadora aqui no Estado e que vem trabalhando a criação do partido aqui.

Para surfar bem na onda ‘marineira’

O prefeito da Serra vem mantendo contatos telefônicos e pessoais com Marina com razoável frequência e tudo sinaliza que ele será o nome forte do partido no Espírito Santo e já deixou escapar que o Rede, uma vez homologado, além da Serra, deverá disputar a eleição majoritária em Vitória com um nome bastante competitivo, que poderá ser a surpresa na eleição de prefeito da Capital.

As regras do jogo para a eleição do ano que vem também são importantes e esperadas com ansiedade pelos partidos. As principais são o tempo de filiação: se mantém a exigência atual de um ano de filiação ou se cai para seis meses conforme pensam muitos deputados federais. Se for um ano, quem quiser disputar cargo de vereador, prefeito ou vice em 2016 tem até o próximo dia 04 de outubro para filiação. Se cair para seis meses, a data limite será 04 de abril do ano que vem.

A manutenção ou não de coligações nas chapas proporcionais também é importante para a tomada de decisões partidárias. Se mantidas as coligações para vereador o jogo é um, se acabarem com as coligações o jogo é outro.

Diminuir o tempo de campanha de 90 para 45 dias como está proposto é o sonho de 10 em cada 10 candidatos. Tida como onerosa, a campanha prolongada se tornou um fardo para os candidatos que, sem fôlego financeiro,  acabam ficando pelo meio do caminho, favorecendo as candidaturas mais endinheiradas.

Assim é a política: quem tem o poder de decidir trava as decisões mais importantes, deixa o suspense no ar e leva tudo para os 45 minutos da etapa final.

 

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