Vizinhos de Vale e Arcelor na Serra sofrem com poluição

Compartilhe:
A mãe Kelly Pereira e a tia Keila seguram o pequeno Miguel para aplicar bombinha por conta de bronquite asmática. Foto: Bruno Lyra
A mãe Kelly Pereira e a tia Keila seguram o pequeno Miguel para aplicar bombinha por conta de bronquite asmática. Foto: Bruno Lyra
A mãe Kelly Pereira e a tia Keila seguram o pequeno Miguel para aplicar bombinha por conta da bronquite asmática. Foto: Bruno Lyra

Por Bruno Lyra

Chegou o inverno e o vento sul. E com eles veio o aumento do pó preto e gases poluentes para os bairros da Serra vizinhos ao complexo de Tubarão, onde estão as usinas da Vale e ArcelorMittal. Tanto que nesta época essas comunidades reclamam da maior incidência de problemas respiratórios, gastos com remédios e materiais de limpeza para espantar a sujeira que invade as casas.

Sebastião Camilo mora no setor Ásia em Cidade Continental. Sua casa fica a poucos metros do muro da ArcelorMittal Tubarão. “Aqui dá pó preto o ano todo, mas quando vira o vento sul, a situação fica terrível. Ainda tem um fedor muito forte, parece cheiro de enxofre. Eu tenho asma, às vezes não consigo nem respirar direito”, afirma.

Vizinhos de Sebastisão, Antônio Inácio Serra e Luciana Bonaldi confirmaram o aumento do pó preto e reclamaram muito do mau cheiro que sentem principalmente à noite. Eles acrescentaram que muitos conhecidos no bairro sofrem com os problemas respiratórios quando isso acontece.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

Se para os adultos a situação é ruim, para as crianças é pior. Três delas, moradoras de Lagoa de Carapebus, estão sofrendo.  Kelly de Almeida Pereira é mãe dos pequenos Miguel e Alice. Ambos estão com bronquite asmática e precisam usar ‘bombinha’ além de outros medicamentos. “Gasto cerca de R$ 150 de remédios com cada um por mês. A primeira crise do Miguel foi na semana passada. Tive que largar o emprego por estar sempre no médico com eles e ter que controlar horário dos remédios. Ele e Alice vão tomar bombinha pelo menos até setembro, depois serão avaliados” lamenta.

Moradores do setor Ásia de Cidade Continental com a chaminé da ArcelorMittal ao fundo.  Foto: Bruno Lyra
Moradores do setor Ásia de Cidade Continental com a chaminé da ArcelorMittal ao fundo. Foto: Bruno Lyra

Mãe de Lucas Ribeiro, Maria Lucimeire também está penando com o sofrimento do filho. “A médica do meu filho fala que a alergia dele é por causa do pó preto. Tenho que levá-lo à médica no mínimo três vezes por mês. E tenho um filho especial que preciso sempre de outra pessoa para me ajudar nessas horas”, reclama.

A presidente da Associação de Moradores de Lagoa de Carapebus, Glória Torres, confirma os problemas.

Empresas negam excesso e estado promete fiscalizar

 Através de sua assessoria de imprensa, a Vale diz que suas operações estão dentro da normalidade e que adota todas as medidas de controle exigidas pelos órgãos de fiscalização.

Também através de sua assessoria, a ArcelorMittal Tubarão diz que mantém rígidos controles das suas emissões, mas pede que os moradores liguem no tel. 3348 – 2065 se perceberem anormalidades.

Responsável pela licença das empresas e pelo monitoramento da qualidade do ar, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) disse que nos três primeiros meses do ano foi verificado excesso de poeira sedimentável em Laranjeiras e Jardim Limoeiro. Ressaltou que os dados dos meses seguintes ainda estão sob análise, acrescentando que ainda falta regulamentação nacional sobre o poluente, que inclui o pó preto.

O Iema disse também que não só Vale e Arcelor poluem. Trânsito, pedreiras, construção civil também sujam o ar. Quanto ao mau cheiro nos bairro vizinhos à Tubarão, o órgão promete enviar equipe para averiguar.

 

 

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

Leia também